Se você cresceu lendo as aventuras do semideus criado por Rick Riordan é inevitável que suas expectativas estavam altas com o novo lançamento do Disney+. Com 8 episódios ao todo, a série infantojuvenil encerrou sua primeira jornada na última terça-feira (30) deixando um gosto agridoce nos fãs que esperavam mais de Riordan nesta produção, mas que ao mesmo tempo também não podiam reclamar da falta de fidelidade ao material de origem.
Baseado no primeiro livro da franquia de Rick Riordan, “Percy Jackson e os Olimpianos – O Ladrão de Raios “, a série acompanha o jovem Percy Jackson (Walker Scobell), um garoto que acaba de descobrir que é um semideus – metade humano, metade deus. Frequentando o Acampamento Meio-Sangue, um lugar para crianças e adolescentes como ele, Percy descobre que seu melhor amigo da escola Grover (Aryan Simhadri) é um sátiro, e, enfim, conhece Annabeth (Leah Jeffries), uma garota astuta e curiosa, características de sua mãe, a deusa Atena. Juntos, os melhores amigos embarcam em uma jornada para impedir que aconteça uma guerra entre os deuses do Olimpo.

Algo que havia me incomodado no primeiro episódio da série, infelizmente mostrou ser recorrente nos capítulos seguintes. Nas minhas primeiras impressões sobre “Percy Jackson e os Olimpianos” eu demonstrei meus receios a respeito da direção do episódio piloto, que era escasso de emoção, adrenalina e o senso de perigo, deixando tudo monótono, inclusive o protagonista. Infelizmente, isso se replica em alguns momentos da trama, e quando observamos a obra por completo chega-se a conclusão que a culpa não é do elenco e sim do diretor que não soube lidar com as mudanças que a história precisava ter.
O maior defeito de “Percy Jackson e os Olimpianos” (além dos seus episódios extremamente curtos) é a falta de sensação de perigo entre os obstáculos que os personagens enfrentam. Prejudicados pela edição do episódio, que prioriza o ínfimo tempo de 30-45 minutos de duração, tudo acontece rápido demais, eles desvendam os mistérios na mesma velocidade em que eles resolvem, deixando de lado toda empolgação da incerteza que envolvem sua missão.

Por outro lado, vale salientar que, as mudanças feitas pelo Tio Rick não são um ponto negativo. Atualizando meros detalhes para uma nova geração, o autor, que tem participação criativa na série, conserta pequenos tropeços do seu livro e facilita o roteiro para o trio de protagonistas. Um dos maiores acertos dentre as mudanças é a aniquilação do estigma vilanesco de Medusa, concede a personagem uma dimensão dramática mais interessante, enquanto já prepara o espectador para um enredo futuro: os semideuses questionando a autoridade e as escolhas de seus pais.
O elenco é simplesmente fenomenal, conseguindo unir o carisma em sua química invejável, nos fazendo torcer para uma nova temporada o quanto antes. Walker Scobell acaba mostrando ser um bom protagonista nas cenas de ação, em que enfrenta com diálogo ou punhos seus inimigos, enquanto Leah Jeffries é literalmente a melhor representação de Annabeth que poderíamos imaginar. Por fim, deixo aqui meu destaque favorito desta temporada: Aryan Simhadri, conquista com seu bom humor, empatia e carisma de uma maneira única e inquestionável.

Apesar de tomar para si escolhas técnicas duvidosas, “Percy Jackson e os Olimpianos” acerta mais que erra, até porque seu erro habita em grande parte na duração dos episódios, se fossem um pouco mais extensos… suas falhas quanto ao timing poderiam ser solucionadas se combinadas com uma direção especializada no gênero.
Por fim, concluo que “Percy Jackson e os Olimpianos” é excelente em ser fiel ao material de origem, mas falha ao executar em pontos cruciais para o desenvolvimento de seus personagens. Por ter um tom mais infantil que os fãs esperavam (ludibriados graças aos filmes), a série tende a decepcionar, mas carrega, inevitavelmente, consigo a possibilidade de um amadurecimento e uma melhora técnica significativa já que não poupou esforços para a preparação do elenco, nem ao menos na ambientação dos cenários fantasiosos.
Nota: 3/5