O longa A Baleia, lançado como The Whale nos EUA em 9 de dezembro de 2022 e estreando no Brasil no dia 23 de fevereiro de 2023, é o mais novo filme de Darren Aronofsky, o diretor que tem em sua humilde filmografia os longas Réquiem Para Um Sonho, Cisne Negro, e Mãe!. O longa é muito esperado por trazer de volta às telas de cinema Brendan Fraser após um hiato de mais de uma década desde Viagem ao Centro da Terra – O Filme. O longa conta com Sadie Sink, Hong Chau e Ty Simpkins. A Baleia está atualmente indicado ao Oscar em 3 categorias: Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo.
O filme conta a história de Charlie (Brendan Fraser), um homem de 270kg que tenta se reconectar com sua filha Ellie (Sadie Sink). Charlie é um professor universitário recluso e suas únicas relações são com uma amiga enfermeira que cuida de sua saúde, Liz (Hong Chau), e ao longo do filme com um jovem chamado Thomas (Ty Simpkins), participante de um culto religioso que tenta “salvar” Charlie de sua própria vida.

Muita polêmica envolve o filme devido à sua temática principal, visto que o filme conta a história de um homem que sofre com um nível de obesidade extrema, porém acredito que essa discussão é parte do que o diretor queria trazer com o filme. Embora essa discussão provavelmente seja um dos maiores objetivos que Darren tem para A Baleia, da mesma forma como Mãe! também foi feito para surfar nas opiniões contraditórias que cada pessoa que assistiu o filme teve, não é de interesse da Tribernna falar muito sobre ela. Então vamos voltar a falar sobre a parte técnica do filme.
A Baleia possui um roteiro extremamente bem construído, trabalhando muitos conceitos como luto, abandono, preconceito, religiosidade e ainda assim consegue elaborar com clareza e nos fazer entender cada um dos personagens da trama (não que sejam muitos). O filme ganha ainda mais pontos por tirar o brilhante Brendan Fraser da sombra que a corrupção Hollywoodiana relegou para ele.

Seu roteiro inteligente auxilia as atuações quando coloca a exagerada Sadie Sink em contraste com o personagem muito menos explosivo de Fraser. Embora eu tenha gostado do estilo das atuações, não acredito que a Max de Stranger Things tenha sido a escolha mais acertada para o papel que Ellie possui na história, criando uma dicotomia entre a personagem que você vê os outros falando e a personagem que nós encaramos na tela.
Para fora de sua atuação e roteiro, o filme conta com um trabalho muito mais modesto que os longas mais famosos de Aronofsky entregaram. Sua fotografia, mixagem de som, edição e produção trabalham para não tirar o foco das atuações, ou seja, é um filme que se esforça para que todos os aspectos causem o menor ruído possível entre o espectador e a história que ele acompanha.
Falando sobre o Oscar, o filme está indicado exatamente em todas as categorias que ele não poderia ser esquecido, ou seja, na construção de personagem.

Vamos começar falando pela estatueta mais difícil de ser levada para casa: Melhor Atriz Coadjuvante. Hong Chau está indicada pela interpretação do papel de Liz, a enfermeira amiga de Charlie. É um papel importante, já que é a pessoa que mantém o contato mais próximo do protagonista, e Chau faz um trabalho muito bonito retratando a amizade, dor e preocupação que ela sente pelo personagem de Fraser. Infelizmente para ela, sua luta é contra atrizes muito mais gabaritadas em filmes muito mais impressionantes. Angela Basset, Stephanie Hsu e Jamie Lee Curtis mostram um trabalho muito maior em filmes muito mais marcantes que A Baleia, então não acho que Hong Chau tem muita chance.
A equipe de maquiagem e próteses do filme também foi homenageada ao receber indicação para Melhor Maquiagem e Cabelo. O trabalho feito para transformar Brendan Fraser é impressionante, mas não acredito que tenham chances contra a recriação perfeita de Elvis e a transformação de Colin Farrel no Pinguim em The Batman.

Para finalizar, o próprio Brendan Fraser está concorrendo ao prêmio de Melhor Ator, e genuinamente estou torcendo para que ele ganhe. Fraser está voltando de um hiato sério, visto que nos últimos anos o ator vem lutando contra a depressão causada pelas às violências que sofreu durante sua juventude, e seu trabalho como Charlie em A Baleia é excepcional. Infelizmente, não acredito que a academia premiará ele, principalmente por causa de Austin Butler e o lobby de Elvis, Paul Mescal e sua genialidade em Aftersun e Colin Farrel brilhando em Os Banshees de Inisherin.
A Baleia é um filme que me cativou muito, e acredito que ainda gerará muitas discussões entre rodas de amigos assim como Mãe! fez. O filme foi indicado ao Oscar em três categorias e acho muito difícil que ganhe ao menos uma. Mesmo assim é indispensável para quem está maratonando os melhores do Oscar, e ainda mais para quem gosta dos filmes de Darren Aronofsky.
Nota: 4,3/5








