Em 1978 foi lançado nos cinemas o primeiro grande sucesso de super heróis: Superman, o filme. Protagonizado por Christopher Reeve, o filme foi um sucesso instantâneo, recebendo três sequências, em 1980, 1983 e 1987. Nesse meio tempo, a Warner/DC decidiu lançar um spin-off do longa: Supergirl.
Estreando em 1984, a produção foi o primeiro longa-metragem protagonizado por uma super-heroína. Apesar do notável marco, pouco se conhece da obra estrelada por Helen Slater. Ao assistir a obra, percebi o por quê dela ter sido esquecida ao longo do tempo.
O filme começa em Argo City, uma cidade de kryptonianos que conseguiram escapar da destruição do seu planeta natal. Quando somos apresentados a Kara, descobrimos também que as pessoas de lá tem ciência de que Kal-el está na Terra. E é para o nosso planeta que a protagonista vai, com a missão de recuperar o Omegaheadron, a fonte de energia que mantém Argo City funcionando.
Quando a trama se volta para a Terra, já somos apresentados à vilã do filme: Selena. Uma personagem original da produção, Selena é uma bruxa amadora que planeja dominar o planeta, e colocar a colocar seu plano em ação após ter contato com o Omegaheadron.

O filme se permite dar tempo a Kara explorar seus poderes e sobrevoar a cidade, porém se permitiu demais e a sequência de vôo fica cansativa e sem sentido. Inclusive, a Supergirl não passa por nenhuma dificuldade ou estranhamento com os ganhos dos seus poderes devido ao sol amarelo, ela apenas os descobre e os domina de forma instantânea. Inclusive, incluindo sem explicação nenhuma um novo poder a protagonista. Ao chegar na Terra, Kara consegue se transmitir, mudando a cor e estilo do cabelo e suas roupas.
Aliás, tudo é muito conveniente no filme. Obviamente que nas produções as coisas confluem para que a trama funcione e os núcleos se interliguem, mas em Supergirl os roteiristas levam isso a um nível extremo, que chega a ser cômico. O artefato de Argo City, literalmente, cai no prato de Selena. Kara, que adota o nome de Linda Lee em um colégio para mulheres, vai parar no mesmo quarto que Lucy Lane, irmã de Lois. A todo momento tudo conflui para onde deve ir, mas sem utilizar as justificativas certas, ou às vezes sem justificativa nenhuma.

Apesar da Supergirl seguir o arquétipo de super-heroína da era de ouro, toda benevolente e inocente, sem muitas camadas e falhas para serem exploradas, o longa traz personagens femininas interessantes. Lucy também é uma mulher forte, independente e se desprende da feminilidade imposta pela sociedade, e aparentemente é até excluída no colégio por conta disto. Selena, a vilã, apesar de não ser uma das vilãs mais imponentes e inteligentes, ainda assim se coloca em um lugar superior, se reafirma enquanto uma mulher poderosa e não cede aos desejos masculinos.
Muito pelo contrário, os todos os homens da Terra são apresentados como seres patéticos, e em alguns quesitos até selvagens, como por exemplo, um dos primeiros contatos de Kara na Terra é ela ser assediada por uma dupla de caminhoneiros em uma rua deserta à noite.
Com efeitos toscos, um roteiro raso e personagens pastelões, não tem segredo do porque Supergirl não alcançou nem uma parte do sucesso que Superman teve na década de 1980. O filme acerta em dar protagonismo para personagens femininas, mas erra o tom da Supergirl, tanto em adaptação quanto ao que ela representa. O longa de 1984 caiu no esquecimento e não serve nem como parâmetro de comparação com as outras adaptações da personagem, sendo protagonista ou não, que vieram depois.
NOTA: 1/5