O Godzilla apareceu pela primeira vez em 1954 no filme japonês Gojira, desde então são mais de 30 filmes já produzidos com a figura do monstro gigante, sem contar com séries e animações. Godzilla Minus One, lançado em 2023, retoma a origem japonesa do monstro para nos contar uma dramática história.
Godzilla é a personificação do medo e dos traumas do Japão diante da destruição da Segunda Guerra Mundial, e principalmente da bomba atômica. O filme dirigido por Takashi Yamazaki revive esses traumas, mas para poder superá-los e dar esperança para um novo Japão.
Quem for assistir Godzilla Minus One esperando um filme de aventura de humanos versus um monstro gigante cheio de ação e destruição como as versões estadunidenses vai se decepcionar. Claro que tudo isso está presente no longa japonês, porém ele foca no drama humano, nos traumas e medos dos seus personagens. A produção assume aspectos do melodrama para si, muito próximo do encontrado em diversos animes, para envolver e emocionar o espectador.
Já era esperado que os efeitos do filme fossem primorosos devido ao retrospecto do diretor Takashi Yamazaki (que acabou lhe rendendo uma indicação ao Oscar), mas ele não apresenta uma maestria apenas nesse aspecto e também dirige muito bem os atores e toda a mise en scène.
Godzilla Minus One tem como protagonista Koichi Shikishima (Ryūnosuke Kamiki), um sobrevivente piloto kamikaze. Após a guerra Shikishima se une a outros três rapazes em um missão de recolhimento de minas aquáticas, até que encontram o Godzilla e a sua missão muda, agora eles e a população de Tokyo precisam salvar o Japão dessa ameaça.

Godzilla Minus One traz diversas nuances e detalhes de um Japão devastado, seja o trauma atômico visualizado na nuvem de cogumelo depois do raio do Godzilla, ou até na união de Shikishima e Noriko (Minami Hamabe), órfãos da guerra, em uma família. Os personagens também trazem diferentes visões de amor à pátria, como o capitão Akitsu (Kuranosuke Sasaki), que apesar de amar o Japão tem uma desesperança e uma desconfiança diante dos governantes, ou o jovem Mizushima (Yuki Yamada), que recente por ser jovem demais e não ter ido para a guerra.
Obviamente que algumas outras nuances passam despercebido para nós brasileiros em relação a uma produção japonesa, principalmente um filme que traz um forte teor cultural e histórico. Minus One também alfineta o abandono da União Soviética ao país depois da Guerra e a destruição deixada pelos estadunidenses na região.

Godzilla Minus One é de longe uma das maiores surpresas dessa temporada. O filme repatria um monstro que vem sendo usado no monstroverso hollywoodiano e nos mostra qual a real origem do Godzilla. Monstros, lendas e mitos nascem de traumas de sociedade e épocas, quando deslocados de lá perdem o seu sentido e seu apelo. Minus One vai além de um filme de monstro e nos entrega uma verdadeira e sentimental carta de esperança para um Japão que tenha mais compaixão e união entre os seus, ele quer superar os traumas e pesadelos para que possa seguir em paz e viver um futuro tranquilo.
Nota: 5/5








