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CRÍTICA | Black Mirror volta com tudo – menos o “Isso é muito Black Mirror”

Na última quinta-feira (15), tivemos o retorno da famosa série da Netflix, Black Mirror, que estava em hiato desde o lançamento e recepção morna da 5º temporada há quatro anos. 

A nova temporada vem com uma vibe diferente do que estamos acostumados à relacionar com Black Mirror, o que talvez seja um erro. Embora muitos episódios mostrem mundos e realidades futuristas ao longo das últimas quatro temporadas, algumas das melhores tramas da série são alocadas em tempos presentes, mostrando situações extremas possibilitadas pela nossa tecnologia atual. Alguns exemplos são: Hino Nacional (o famigerado primeiro episódio da série), Momento Waldo (na segunda temporada) e o assustador Manda Quem Pode (na terceira temporada).

Nessa nova apresentação, Black Mirror volta sua atenção para esse tipo de histórias, sendo elas:

  • A Joan É Péssima – Uma abertura fascinante para a nova temporada;
  • Loch Henry – Uma história de mistério com final surpreendente;
  • Beyond the Sea – O enredo mais sci-fi da temporada;
  • Mazey Day – Um enredo pé no chão tanto quanto cansativo;
  • Demônio 79 – Um episódio final para não fechar a temporada com um gosto amargo.

Primeiramente, gostaria de falar que com exceção do 4º episódio (na minha opinião, é claro), toda a temporada é divertida e vale muito a pena ver o que tem de novo e o que tem de Black Mirror nessa volta de hiato. Vou agora falar um pouco sobre cada episódio, sem dar muito spoilers, e após isso irei terminar um texto com uma conclusão geral sobre a temporada. Prefiro fazer assim devido ao formato antológico. Então, sem mais delongas, vamos lá:

A Joan É Péssima

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Abrindo a série com chave de ouro,  A Joan É Péssima vem com uma história assustadora e bastante atual, lembrando um pouco o formato do tão mais citado episódio de Black Mirror: Queda Livre (o episódio das notas na rede social).

A Joan É Péssima conta a história de Joan (Annie Murphy), uma mulher normal que vive em um mundo normal com um emprego e um marido normal, e que, aparentemente do nada, acaba vendo sua vida, seus erros e suas fraquezas sendo jogados ao mundo por uma série intitulada A Joan É Péssima.

A partir daí, Joan tenta entender o que está acontecendo com sua vida, e como a Streamberry (que é uma paródia da Netflix) consegue ter acesso aos seus dados e à sua vida em  tempo real. Com certeza o melhor episódio dessa temporada, e vale cada letra do “Isso é muito Black Mirror“. Esse episódio ainda conta com participação de Salma Hayek, Michael Cera, Himesh Patel e Ben Barnes.

Loch Henry

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Loch Henry conta a história de um casal que vai fazer um documentário comum e acaba esbarrando numa história bizarra sobre assassinatos que ocorreram décadas antes da chegada deles.

É um episódio intrigante, interessante e conta com uma reviravolta de tirar o chapéu. Nem vou me estender ao falar do episódio, tenho medo de acabar soltando algum spoilerzinho.

Beyond the Sea

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Esse é o episódio mais futurista da série, e conta a história de dois astronautas (um deles interpretado por Aaron Paul) que conseguem viver uma vida comum na terra ao se utilizarem de clones feitos com suas medidas para substituição.

É um dos episódios mais perturbadores da temporada e com certeza quase chega lá nas distopias e histórias assustadoras que a série costuma apresentar.

Mazey Day

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O episódio mais fraquinho da temporada. Em Mazey Day acompanhamos uma paparazzi que acaba se envolvendo em uma investigação sobre a atriz que nomeia o episódio.

Além de termos que acompanhar a história da classe mais nojenta dos bastidores de Hollywood, ainda por cima não me parece uma história normal para os moldes de Black Mirror, e sim algo saído diretamente de Love, Death & Robots.

Demônio 79

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O último episódio da 6ª temporada de Black Mirror fecha a série com chave de ouro. Acompanhamos a história de Nida, uma mulher normal que se vê presa à um demônio após ter acidentalmente aceitado um pacto com ele.

A história é divertida, cheia de críticas à sociedade inglesa da década de 1970 (não que essa história seja tão diferente de hoje), e ainda por cima consegue fazer seus 74 minutos passarem muito mais rápido do que outros episódios. Infelizmente, pelo menos pra mim, também não é muito Black Mirror

Conclusão

Black Mirror voltou e trouxe muita qualidade para os cinco episódios que estão disponíveis agora mesmo na Netflix. Alguns dos episódios aqui entram na minha lista de top 10 da série, porém infelizmente alguns deles entram na categoria de esquecimento completo, e o motivo é simples: falta o tempero que nos faz sempre remeter coisas bizarras com a série com o famoso bordão “Isso é Muito Black Mirror“.

Dois episódios conseguem passar a essência que tanto amamos nas primeiras temporadas, dois episódios conseguem mostrar histórias impressionantes que infelizmente não conseguem me fazer enxergar como elas poderiam ser histórias de Black Mirror e um deles simplesmente é muito fora da curva para a série, e não é que a série possui um manual escrito em pedra sobre como ela deve funcionar, mas algumas coisas funcionam melhor em um formato diferente, que é o caso da também muito boa série Love, Death & Robots.

No fim, vale a pena assistir essa série, nem que seja para impedir um eventual cancelamento e tentar ver se volta a ser como nas primeiras temporadas para termos pérolas como San Junípero e Natal.

Nota: 3,5/5

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