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CRÍTICA | “Atena” decepciona com abordagem rasa e estética de tortura

Chegando nos cinemas nesta quinta-feira, dia 31 de julho, o novo filme de Caco Souza, estrelado por Mel Lisboa e Thiago Fragoso, adiciona ao rol de filmes nacionais uma história de vingança difícil de digerir. Atena se propõe a trazer uma espécie de justiceira em casos de violência domésticas e abusos, mas perde sua identidade quando se rende aos moldes hollywoodianos.

O filme acompanha Atena (Lisboa), uma mulher marcada por abusos que lidera uma missão clandestina de punição a agressores. A narrativa ganha fôlego investigativo com a entrada de Carlos (Fragoso), repórter determinado a entender as motivações por trás das ações dessa misteriosa justiceira.

Atena | Filme com Mel Lisboa e Thiago Fragoso ganha data de estreia

Com apenas 85 minutos de duração, o suspense policial mergulha em uma espiral de vingança e dilemas éticos, confrontando os limites entre justiça e barbárie. A sua intenção principal é trazer uma narrativa que compõe um olhar contundente sobre a impunidade e a dor das vítimas de abusos, assim, expondo feridas reais da sociedade. Contudo, a intenção não reflete o que vemos em prática.

O protagonismo de Mel Lisboa que é excelente em filmes como Foram os Sussurros que Me Mataram ou até na série Coisa Mais Linda, fica apagado em Atena. A atriz acaba emulando personagens já existentes e presa em um molde cinematográfico que simula claramente Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Assim, Lisboa que é um achado nacional se vê presa em uma paródia sem personalidade ou identidade.

Atena - Trailer Oficial | Breve nos Cinemas

Caco Souza não tem a sensibilidade, nem o olhar, necessário para contar uma história tão intensa como essa. Atena acaba se tornando um produto de mau gosto que flerta com o fetichismo da tortura feminina. É realmente difícil chegar até o fim do filme, principalmente se você for mulher. As violências visuais parecem pertencer ao male gaze e o desconforto é tão latente que a experiência de assistir Atena é aterrorizante, o filme se perde em cenas de violência gráfica e uma direção sem sensibilidade.

Nem a experiência de Thiago Fragoso ou carisma inegável de Mel Lisboa puderam salvar Atena do fiasco. Um filme que parece renegar sua própria origem, ainda que use Gramado como cenário, busca referências gringas para contar uma história genérica, apagada e de mau gosto.

Atena tenta ser um suspense feminista, mas entrega uma cópia sem identidade. Mel Lisboa brilha menos do que poderia em um filme que mais incomoda do que impacta. O novo suspense nacional tenta abordar a violência de gênero com um viés justiceiro, mas tropeça feio na forma.

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