Para encerrar a quadrilogia “Um Ano Inesquecível“, Prime Video lançou na última sexta (23) o seu último filme “Primavera“, adaptado do conto de Bruna Vieira. Com as paisagens naturais de Minas Gerais de plano de fundo, o filme não consegue ser nada além de algo bonito visualmente.
Com a direção de Bruno Garotti, “Um Ano Inesquecível: Primavera” conta a história de Jasmine (Livia Silva), uma aluna que está prestes a terminar o Ensino Médio…se não fosse pela temida matemática. Assim, ela é obrigada a ter aulas extras com Davi (Ronald Sotto), um pragmático estudante de exatas e calouro de uma faculdade próxima. Em aulas nada convencionais, Jasmine e Davi vão compartilhar suas diferentes visões e viver o desabrochar de um amor enquanto encontram seu lugar no mundo. (*)

O filme começa com uma introdução artística delicada e de muito bom gosto, e logo nos apresenta uma história que é bem simples, mas se fosse bem executada entraria nos melhores filmes apresentados neste mês, ao lado de Outono. Todavia, Primavera falha miseravelmente quando observamos as atuações do elenco, principalmente o mais jovem. O roteiro de Ana Pacheco também não contribui positivamente, já que seus diálogos são engessados e quebram a magia de nos fazer acreditar que toda aquela história está acontecendo.
Apesar de compartilharem uma boa química, Livia e Ronald não entregam um bom desempenho em suas performances, demonstrando desconforto e falta de familiaridade com a construção de seus personagens.

Ainda que tenha as paisagens belíssimas de Ouro Preto como plano de fundo, falta brasilidade neste longa. Na história em si, há muita influência de hábitos cinematográficos de fora do país. O filme se distancia de nós e apenas apresenta frases prontas que correspondem as características dos mineiros, como o famoso “logo ali”. Mas ele peca muito em apresentar os elementos estudantis que compartilhamos em nossa cultura ficam de fora, além da lógica do ano letivo do Brasil que é inexistente e o tão temido Enem, que aflige os alunos brasileiros do último ano do Ensino Médio, nem é citado para criar a atmosfera de graduandos.
O filme não cria uma correlação com a realidade e se afasta do espectador que tenta se agarrar a qualquer coisa minimamente boa que o filme introduza, como a locação das filmagens, a direção de fotografia e a trilha sonora. Mas, convenhamos, para um filme ser bom ele precisa ser muito mais do que bonito. Aprendemos isso assistindo Inverno.
Com um sotaque mineiro tão terrível quanto as performances do elenco, “Um Ano Inesquecível: Primavera” desaponta ao ser uma das piores obras lançadas nesta quadrilogia. Com um potencial gigantesco para emocionar e trazer uma história sobre seguir seus sonhos, o filme se perde em algo monótono e difícil de ser assistido.
Nota: 1,8/5