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CRÍTICA | “Elementos” uma animação realmente para o público infantil, mas com pitadas de pautas sociais

No último dia 16 de junho, nós, da Tribernna, fomos convidados para acompanhar a cabine de imprensa do filme Elementos, do diretor Peter Sohn. E se você espera uma animação que usa dos elementos da natureza para fazer uma crítica social quanto a diferenças de classes…esse é o seu filme! 

Nesta animação de Disney e Pixar, conhecemos a cidade Elemento. Conforme o filme avança somos apresentados a uma divisão de classes, em que os moradores da parte mais rica são compostos pelos elementos do ar, da terra e da água. Já na parte menos desenvolvida da cidade estão os moradores do fogo. 

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Através da Faísca, uma pessoa do fogo, conhecemos a parte marginalizada deste povo. A personagem vive à margem da cidade acompanhada de seus similares de brasa. Há de ressaltar que a história reforça que é instaurado uma divisão bem rígida entre os elementos, fazendo assim que eles não se misturem. Logo, fica claro que mesmo com uma abordagem mais infantil, o roteiro insere com sutiliza a diferença de classes.

A protagonista carrega consigo uma história individual que a levará a uma jornada de autoconhecimento e descoberta. Após um acidente na loja de seu pai, Faísca conhece seu parceiro de tela: Gota, um inspetor da prefeitura, que precisa multá-la pelas irregularidades da loja.

Até o momento, nada de novo foi apresentado na animação, que parece seguir a linha já conhecida de romance proibido, com a mocinha tentando resolver um grande problema para salvar sua família. No entanto, o que chama a atenção no decorrer do longa é como Faísca repete para si mesma a sua obrigação, enquanto apresenta, de forma despretensiosa, seu lado artístico de sopradora de vidro (quem assistiu Vidrados, da Netflix, sabe bem o que estou falando). 

5 fatos sobre Elementos

Esse lado artístico acaba por criar um vínculo maior entre o casal principal. Enquanto Faísca não acredita, nem enxerga, o seu potencial, Gota enxerga beleza em tudo o que ela faz. É bonito assistir e acompanhar como o sentimento emerge entre essa relação, quando o coprotagonista da água joga todas as suas emoções por e para ela.

É claro que a jornada de auto descoberta é acompanhada com um dilema familiar, afinal, confiar no seu talento ou seguir um rumo já planejado por ela pela família? 

É justamente neste momento que fica perceptível que, na verdade, o filme é para crianças e não para adultos. Por mais que tenha a lição entre pais e filhos a respeito de não ditar um destino incompatível, acredito que o longa é mais sobre encontrar o seu caminho e se sentir confortável com o que você decide ser – com um diálogo aberto entre a família sobre isso.

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Há necessidade em comentar sobre um outro assunto abordado com cuidado e sem profundidade em Elementos: a relação entre pessoas de diferentes classes sociais. No filme fica bem claro o tópico, como já mencionado nesse texto, claro ao ponto de existir um diálogo que promove choque de realidades que serve para exemplificar a  diferença de classes entre os personagens. 

Ainda assim, entre a conversa que gera o seguinte diálogo:  “você fala muito bem” é respondida como: “sim, quando se fala a vida toda a mesma língua a gente fica bom nisso”, gerando uma risada sincera entre os personagens, não criando uma relação ruim entre os envolvidos, mas não deixando de expor a diferença entre os tratamentos.

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Talvez um outro assunto que seja muito bom para o público mais jovem, que também funcionará para os adultos, é o fato do Gota ser um verdadeiro emocionado. Durante toda a animação ele não sente inibição em expor seus sentimentos, principalmente aqueles que envolvem lágrimas.

A família do Gota reproduz essa mesma característica e, ainda, gera um olhar mais crítico diante de como os familiares podem encorajar a demonstração de sentimentos e emoções. Essa sensibilidade é apresentada como qualidade e até exaltada na trama (o que é um ótimo exemplo, ver um personagem masculino agir assim). Todavia, há necessidade de um desenvolvimento maior do personagem acerca de sua personalidade e motivações. 

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Por fim, Elementos entrega o que promete: um casal fofo e bem romântico, relação familiares distintas e um bom desenvolvimento de personagens que estão no início da vida adulta. Ainda assim, ele não é impactante o suficiente para fazer a audiência chorar nos momentos de afeto na trama. 

No entanto, se você espera uma animação que seja profunda, emocionalmente forte e intensa, sinto muito, mas esse não é o caso. Contudo, se a sua intenção é assistir algo simples, objetivo e fofo, que aqueça o coração de forma despojada, aí sim essa é a indicação exata. 

Elementos estreia no dia 22 de junho nos cinemas.

Nota: 4/5

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