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CRÍTICA | “Como Seria Se…?” introduz com muita emoção o multiverso nas comédias românticas

Com a direção de Wanuri Kahiu (Rafiki) e roteiro de April Prosser (Nosso Último Verão), a nova comédia romântica da Netflix, “Como Seria Se…?“, traz de maneira emocionante uma história que carrega consigo a esperança de construir sua felicidade e realização pessoal de modos bastante distintos.

O longa segue a história de Natalie (Lili Reinhart) que, pouco antes da formatura de sua faculdade, decide ir para a cama com seu melhor amigo Gabe (Danny Ramirez). Na festa de formatura ela acaba passando mal e decide fazer um teste de gravidez, neste momento sua vida segue por dois caminhos em universos paralelos: uma aonde está gravida e na outra onde não está. Nessas duas realidades, as “Natalies” precisam viver com as escolhas de suas vidas, relacionamentos e carreiras profissionais.

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A maior beleza de “Como Seria Se…?” se dá através de uma visão respeitosa diante de situações bastantes distintas da vida da protagonista. Ao mesmo tempo que ele não glamouriza a dor de ser uma mãe jovem, ele não diminui a importância e a força que Natalie precisou ter após ver sua vida tomando um rumo totalmente não planejado. A maternidade nesse filme não se torna algo menos relevante do que a busca pela carreira dos sonhos na outra realidade paralela.

Apesar da realidade em que Natalie foca na sua carreira e enfrenta obstáculos em Los Angeles seja interessante de ser assistida, ela se torna trivial perto da realidade em que ela é mãe. Talvez seja por causa do desenvolvimento pessoal mais perceptível ou da construção do casal, mas é fato que a versão materna conquista mais nossa compaixão do que a outra. De modo que se torna impossível não torcer por seu sucesso ou não se emocionar ao fim.

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Ainda com tudo de bom que a história teve a oferecer ela cai no erro mais cometido dos anos 2000 e que deveria ter sido superado a essa altura: a melhor amiga negra que só tem uma função no filme – ser a melhor amiga negra. Aisha Dee vive a Cara, que não acrescenta em nada no filme, nem no auxílio ao desenvolvimento pessoal da protagonista. O que é uma pena esse estereótipo ter retornado as romcoms, visto que sua personagem poderia ter sido muito mais do que um mero acessório de representatividade falha.

Como Seria Se…?” é um filme simples, leve e delicioso de ser assistido. Ele emociona, entretém e diverte. Consegue criar uma conexão sólida e real com a audiência, promovendo até mesmo algumas identificações com a trajetória da protagonista. O molde de mostrar duas realidades paralelas faz com que refletimos mais a fundo em uma história que parecia ser superficial à primeira vista mas entregou uma intensidade dramática surpreendente.

Nota: 3,8/5

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