O mais novo super-projeto da Netflix estreou na última sexta (14) com grandes estrelas protagonizando um filme totalmente fora da curva do gênero de super-heróis.
“Project Power”, dirigido pela dupla Henry Joost e Ariel Schulman, traz uma história intensa de perseguição (em todos sentidos) com o almejo de um futuro distorcidamente heroico como um de seus pilares.
Antes mesmo de sua estreia, quando a história se vendeu com a proposta de uma droga que fornece super poderes, já foi o suficiente para promover o filme de maneira que seja atrativa e que não se distancie do enredo real do filme (quem nunca caiu no clickbait de um trailer mentiroso). A trama por mais atrativa que seja, deixou algumas oportunidades passar. Sabendo que a comunidade mais afetada e o alvo principal da droga e dos testes em ‘cobaias’ foi a negra e a mais pobre, o filme estava com a faca e o queijo no pão pra realizar sua crítica, por mais claro que o cenário pudesse ser. Ainda assim, o filme conseguiu abordar a lógica esperada da corrupção de entes governamentais por traz do crime das ruas.

Apesar disso, o filme não peca em trazer uma trama instigante que se desenrola gradativamente fazendo o espectador descobrir aos poucos esse “novo mundo”, assim não desgrudando os olhos da tela.
O universo construído é tão promissor que é natural que você sinta um gostinho de quero mais logo quando as letrinhas começam a subir. É bem evidente que o filme faria um sucesso certeiro se ele tivesse o formato de uma série, ainda que curta, há muito potencial na história, não só nas drogas em si mas na corporação por traz dela e o passado do protagonista.
Power consegue trazer os poderes em super-humanos em sua essência real, em bandidos, em policiais com o heroísmo entalado na garganta e em jovens curiosos e burros ao ponto de arriscarem a própria vida por pura emoção. Toda trama ainda que irrealista consegue encontrar a sua racionalidade na medida do possível, o que torna tudo mais crível e coerente com o enredo.

As atuações caminham de acordo com o que é proposto, toda a intensidade dos crimes, o drama da perda e das consequências das drogas, a tensão das perseguições e super lutas, todos esses elementos ganham a dosagem correta graças ao desempenho do elenco.
Jamie Foxx conduz com louvor um personagem cheio de carga dramática e quase que literalmente com sangue nos olhos, acompanhado da sua co-estrela Dominique Fishback, a Robin de seu Batman (se você reparar bem o casaco dela tem até as cores do Robin!), que surpreendeu com seu exímio talento não só na atuação mas também no rap. A química e a interação dos dois como uma dupla contra o crime oscilando entre “pai e filha” é altamente identificável e gera uma ligação imediata com o público. Rodrigo Santoro ainda que não tenha tido um papel em destaque conseguiu marcar presença e se firmar como um “vilão” puramente comercial e não aquela mente maligna como poderíamos imaginar com os trailers.
Ainda que o filme não seja totalmente inédito e surpreendente, ele entretém e entrega emoção em atuações carismáticas. A mistura do drama de uma perseguição e a corrupção em uma cidade cheia de problemas com a possibilidade de criar seres super poderosos resultou numa obra extremamente divertida e com potencial de uma continuação.
“Project Power” está disponível na Netflix.



