Home / Séries / CRÍTICA | “A casa do dragão” aproveita o segundo episódio para estabelecer importantes tramas políticas

CRÍTICA | “A casa do dragão” aproveita o segundo episódio para estabelecer importantes tramas políticas

Os segundos episódios tendem a ser os mais importantes na construção de uma série. Se o primeiro é o responsável por dar inicio aos plots principais e apresentar toda a ideia do universo, fica a cargo do segundo segurar esse potencial e dar segmento a narrativa. E foi exatamente assim que aconteceu no segundo episódio de A casa do dragão, lançado na HBO no último domingo (28) onde finalmente foi apresentada a abertura da série.

O segundo episódio intitulado “The rogue prince“, o príncipe rebelde em tradução literal ou o príncipe canalha em tradução da HBO Max, já começa mostrando algumas cenas da invasão pirata na costa de Westeros onde membros da marinha real são torturados e servidos como alimentos frescos para caranguejos carnívoros, e logo em seguida Corlys Velarion (Steve Toussaint), responsável pela frota marítima do rei pede permissão para devolver o ataque e se enfurece após receber uma negativa do rei Viseryon (Paddy Considine) preocupado que a atitude culmine em uma possível guerra com as terras livres.

Enquanto o primeiro episódio trouxe apenas uma introdução dos deveres da família real para com a corte, esse segundo os escancara exibindo a importância das tramas políticas que sempre foram o cerne de Game of Thrones. Ao estabelecer um salto temporal de seis meses fica nítido que o rei precisa encontrar uma nova esposa e mostra na prática como funciona a ligação entre os laços de casamento e de poder dentro da corte.

O rei Viserys deve escolher entre seguir as instruções do pequeno conselho e casar com a primogênita de Corlys para fortalecer o reino através da união das duas casas mais poderosas, ou seguir um caminho diferente. Ao mesmo tempo podemos ver a forte aproximação que tem acontecido entre ele e Alicent Hightower (Emily Carey)  e ao longo do episódio essa relação vai ficando mais intima, satisfazendo assim o desejo secreto de Otto Hightower (Rhys Ifans) em ver sua casa cada vez mais próxima do trono.

Pouco depois Alicent encontra Rhaenyra (Milly Alcock) e juntas fazem uma oração e conversam sobre luto, no mesmo momento a princesa aproveita para expressar seu descontentamento com a decisão de seu pai de fazê-la herdeira mais por falta de opção que um real desejo que ela assuma o trono de ferro já que seis meses se passaram desde sua coroação e ainda assim seus comentários nas decisões administrativas do reino sempre são ignorados, e Alicent sonsamente aproveita para aconselhá-la em defesa do rei.

Outro momento que prepara o arco para o fim do episódio é o diálogo entre a princesa e Rhaenys (Eve Best) quando esta a lembra que também já foi herdeira legitima e quando teve chance de ser rainha viu o seu direito negado porque os homens prefeririam queimar o reino a ver uma mulher se sentar no Trono de Ferro”.

Uma reunião de emergência é convocada no pequeno conselho e lá o rei e a princesa descobrem que o príncipe Damon (Matt Smith) não apenas tomou Dragonstone, a fortaleza da princesa, como roubou um ovo de dragão para seu futuro herdeiro. Indignado o rei decide ir pessoalmente confrontar o irmão, mas Otto toma a frente e provando mais uma vez que o roteiro não está disposto a enrolações nessa primeira fase, esse arco logo é resolvido quando Rhaenyra desobedece ordens do rei e vai montada em Syrax resolver essa confusão.

Outro ponto importante é como as aparições dos dragões parecem ser de fato algo bastante comum nesse universo, e nesse episódio já tivemos dois momentos que exploram o poder e a ligação pessoal que os Targaryen possuem com cada um. Primeiro Damon com Caraxes e depois de Rhaenyra com Syrax.

Voltando a outra reunião do pequeno conselho o rei decide anunciar quem será sua futura esposa, e embora essa decisão já pareça bastante óbvia para o telespectador é interessante de ver como o roteiro decidiu que não dará grandes voltas e que pretende encerrar o episódio com esse arco concluído. Fazendo com que Viserys decida tomar Alicent como sua rainha, decisão que choca o pequeno conselho, principalmente Rhaenyra, a herdeira legitima e Corlys, que decide ir até Damon em busca de uma aliança para derrubar o rei.

Ao longo dos mais de 50 minutos o segundo episódio de A casa do dragão bebe da melhor parte de Game of Thrones e se debruça sobre tramas políticas, laços de sangue e maracutaias que devem justificar os meios através do fim. Para além de guerras e dragões a verdadeira essência desse universo sempre foi a politica e se seguir nesse caminho A casa do dragão terá muito para entregar.

Os dois primeiros episódios da série já estão disponíveis na HBO Max e todo domingo as 22h um novo é adicionado.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *