Distribuído pela Diamond Films, Hit Para Dois chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (11) apostando em uma combinação clássica de humor (do inusitado) e música. Dirigido por John Carney, cineasta conhecido por trabalhos como Sing Street e Mesmo se Nada Der Certo, o longa acompanha a busca por reconhecimento de um músico que teve sua composição roubada e que se transformou em um fenômeno mundial.
Na trama, Paul Rudd interpreta Rick Power, compositor frustrado que trabalha como vocalista de uma banda de casamentos, enquanto Nick Jonas vive Danny Wilson, um ex-membro de boy band em busca de reinventar sua carreira. O conflito começa quando Danny transforma uma música apresentada por Rick em um sucesso global sem lhe dar os devidos créditos.

Com 1 hora e 38 minutos de duração, Hit para Dois é o que eu chamo de “filme-sofá”: aquele tipo de produção perfeita para assistir em um domingo em família ou em uma tarde com as amigas. É o tipo de filme que resgata aquela sensação gostosa de alugar um DVD na sexta-feira à noite. Muito disso se deve ao carisma de Paul Rudd, que, combinado a uma história segura, cria uma experiência familiar, leve e fácil de abraçar.
É interessante a forma como o filme aborda, com sutileza, o debate sobre autoria musical. O tema é recorrente na indústria e já envolveu nomes como Elvis Presley e até artistas contemporâneos, como Adele, que utilizou um trecho de uma música brasileira sem os devidos créditos. Talvez esse seja o principal diferencial de Hit para Dois: transformar uma discussão tão frequente no meio musical em algo acessível, leve e próximo do público.
Outro ponto que me surpreendeu positivamente foi a trilha sonora. Paul Rudd demonstra uma potência vocal muito maior do que eu esperava, especialmente nas releituras de clássicos da música que aparecem ao longo do filme. Mas o grande destaque está na canção original que divide com Nick Jonas. A composição foi construída de forma inteligente para acomodar as características distintas de cada voz, permitindo que ambos brilhem sem competir entre si. O resultado é uma parceria harmoniosa e envolvente, que ajuda a explicar por que a música permanece na cabeça do espectador muito depois dos créditos finais.
Apesar de seguir uma estrutura bastante genérica e não apresentar muitos elementos memoráveis, o filme funciona bem como comédia, embora seja menos eficiente quando tenta explorar o drama. Paul Rudd sustenta grande parte da produção graças ao seu excelente timing cômico, tornando-se o verdadeiro pilar da narrativa. Como consequência, acaba ofuscando Nick Jonas, que representa o ponto mais fraco do elenco.

Enquanto Rudd abraça a galhofa de interpretar um ex-astro do rock que acabou se tornando cantor de bandas de casamento, transmitindo a frustração de alguém que viu seus sonhos serem interrompidos e permaneceu preso ao eterno “e se?” da própria vida, Nick Jonas entrega uma atuação limitada. O ator não consegue ir além, parece ter medo de explorar ao máximo o estereótipo do ex-integrante de boy band arrogante e sem escrúpulos, alguém capaz de roubar a música de um desconhecido.
As nuances emocionais de seu personagem não são fortes o suficiente para provocar impacto na narrativa. Seja na ousadia de suas atitudes ou no arrependimento tardio, tudo permanece na superfície. O filme até apresenta essas emoções, mas nunca as desenvolve a ponto de gerar o peso dramático que a história exige.

Ainda assim, não posso dizer que Hit para Dois seja um filme ruim. Pelo contrário: a primeira coisa que fiz ao sair da sessão foi mandar mensagem no grupo das minhas amigas sugerindo uma sessão conjunta. No entanto, trata-se de um filme tão genérico que acaba se tornando esquecível, mesmo que sua música original — repetida inúmeras vezes ao longo da trama — continue ecoando na cabeça do espectador o fim do filme.
Nota: 3/5