Como você reagiria se descobrisse que alienígenas não só visitaram a Terra, como que essa informação foi escondida durante décadas de toda a humanidade? Em Dia D, Steven Spielberg volta à temática extraterrestre após 44 anos (quando lançou E.T. O Extraterrestre). O filme estrelado por Emily Blunt e Josh O’Connor, explora como a descoberta de alienígenas pode afetar as pessoas ao redor do mundo na sociedade atual.
Em Dia D, Spielberg, junto do roteirista David Koepp, transita muito bem em gêneros narrativos dentro da sua própria Sci-Fi. O drama, a ação e o mistério estão a todo momento presentes no filme sendo transitados de forma coerente, sem que pareçam diferentes peças dentro da mesma obra. Mas isso não é o que chama mais atenção no longa.
Dia D nos coloca em diversos dilemas e pontos de vista ao lidar com a temática. O mundo está preparado para lidar com revelação deste tamanho? O que vale mais? A segurança da Terra ou a moralidade de não esconder esse segredo do mundo? Onde Deus fica nisso tudo? Obviamente, assim como qualquer outra produção hollywoodiana, esse “mundo” se trata dos Estados Unidos, afinal os Alienígenas só pousam lá e as consequências sempre caem sob a nação da América do Norte.
Essa construção de dilemas dá um ar de imprevisibilidade para as ações dos personagens. Spielberg consegue fazer a tensão subir em uma possível traição, ou até fazer o espectador desconfiar se está torcendo pelo lado certo da trama. Por outro lado, como a maioria dos blockbusters recentes, o filme também é bem didático no que quer passar para o espectador, e a cada passo que o longa vai avançando, a sua reflexão se torna mais exposta.

Outro ponto que chama a atenção ao olhar para o filme é seu elenco estrelado. Emily Blunt recusa apresentações, a atriz já se provou nos seus anos de carreira em diferentes gêneros. Blunt consegue não apenas colocar na tela o estado de confusão que sua personagem está, como também dá nuances através de pequenos gestos sem precisar da ajuda do diálogo para isto. Dia D também é um filme muito sobre o olhar, principalmente na trajetória da protagonista, e apesar de pensar que Spielberg poderia ter explorado mais esse aspecto em termos técnicos, Emily penetra com seu olhar sempre que é pedida.
Do lado dela, Josh O’Connor traz um protagonista mais tímido, mais melindroso. Josh parece estar em um lugar confortável, durante o filme ficamos com a sensação que já o vimos em situações como aquelas. Mas isso não é um menosprezo a sua atuação, que em momentos de monólogo ou que pede mais expressão, consegue se manter firme sem se apagar.

O elenco de apoio traz um nome não tão conhecido: Eve Hewson, que perde um pouco de tempo de tela no segundo para o terceiro ato, mas enquanto está em cena não deixa sua falta de nome entre as grandes estrelas passar em branco. Os outros dois nomes que mais aparecem já são bem consagrados. Colman Domingo aqui se recupera da sua última pífia atuação nos cinema em Michael, e entrega um personagem bem mais coerente, apesar de não ter muitas nuances e abertura para explorar uma versatilidade.
Ao contrário de Colin Firth, que traz um daqueles antagonistas odiáveis. Apesar de estar preso no tropo do grande vilão que tem seus interesses irrigados na sua grande corporação que serve ao capitalismo, Firth vai além disso e dá não apenas uma veracidade para o personagem, como também alguns momentos de simpatia e real fraqueza.

Dia D está longe de entrar nas grandes obras primas de Spielberg. O filme continua trazendo uma visão otimista e conciliadora do diretor dentro desse caos que vivemos no mundo. Apesar de não explorar todo o potencial técnico da obra, o filme também é um respiro em meio a tantas adaptações e revivals que estamos vendo entre os blockbusters e trabalha com uma mitologia, que não importa a época, vai estar no gosto do público (vide o caso recente do alienígena na roça do Paraná que viralizou nas redes).
NOTA: 4/5