Há 30 anos, Wes Craven criava um dos maiores slashers de sua carreira, que não demorou muito para se tornar uma das franquias de terror mais populares da história do cinema. Não é errado afirmar que Pânico criou um legado. Apesar de algumas de suas sequências terem gerado controvérsias entre o gosto popular, o universo da final girl Sidney Prescott rendeu histórias que mantiveram a relevância de Pânico por três décadas. Mas será que o sétimo filme conseguiu se reinventar e não cair nas armadilhas de sua sátira?
Em Pânico 7, um novo Ghostface surge para aterrorizar novamente a vida de Sidney Prescott (Neve Campbell). O assassino chega agora à pacata cidade onde Prescott cria sua filha, novo alvo do terror do serial killer. Focada em proteger sua família, Sidney precisará enfrentar os horrores e traumas do passado para dar fim a essa perseguição de uma vez por todas.

A leva de novidades no filme, para além do retorno de Neve Campbell, graças à demissão de Melissa Barrera e à saída solidária de Jenna Ortega da saga, começa na cena de abertura. Fazendo alusão ao primeiro filme, seja no cenário que recria o terceiro ato do original ou na forma como os personagens se portam (e até morrem), a cena inicial tem aproximadamente 13 minutos, tornando-se a maior de toda a franquia. E é nesse mesmo começo que conseguimos ter o vislumbre de como o filme irá se apresentar em toda sua 1 hora e 54 minutos de duração: pura nostalgia barata.
Desesperado em querer conquistar a simpatia do público, que, em sua grande maioria, pulou para fora do barco após as polêmicas da produtora, que era contra o posicionamento político de Barrera, Pânico 7 chama de volta alguns Ghostfaces para assombrar o presente de sua mocinha. O fato de fazer do rosto de Matthew Lillard o carro-chefe do antagonismo do filme reforça esse sentimento de “topa tudo por audiência” que o longa exala em seus poros narrativos.

Contudo, ainda que tente moldar toda a história em um sentimento nostálgico, o filme corre de todas as obviedades com as quais tanto brinca em suas “regras” do universo do horror. E, na tentativa de se renovar e se tornar algo inédito e surpreendente, Pânico 7 cai na armadilha do conservadorismo narrativo: não ousa como antes e decepciona, principalmente, na revelação de seus Ghostfaces.
Outra decepção se dá pelo arco familiar de Sidney, que envolve seu marido Mark (FYI: não é o mesmo policial Mark interpretado por Patrick Dempsey) e sua filha adolescente Tatum (e todos os seus amigos/namorado). Falando o português mais claro que eu posso ter através desta crítica: não poderia me importar menos com eles. O filme falha miseravelmente em construir personagens queridos pelo público, que nos façam torcer por sua sobrevivência ou torcer o nariz de desgosto. Tudo é morno, cinza, cru e completamente medíocre e esquecível. A única personagem que causa certa comoção é a vivida por Mckenna Grace, e isso se dá muito mais pela presença e carisma da atriz do que por sua personagem em si.

Todavia, nem tudo são trevas e dores. Pânico 7 tem uma das melhores direções no quesito suspense e perseguição dos assassinos. A tensão construída através de sombras e a sensação de “não há escapatória” são o ponto alto do filme. Você se segura na cadeira do cinema, fica preso ao assento e até leva alguns sustos. Kevin Williamson consegue resgatar essa imagem de perigo iminente do Ghostface enquanto sua máscara ainda não revela sua identidade.
Por isso e por muito mais, Pânico 7 nos ensina que toda franquia deve saber a hora de parar. O filme está cada vez mais se tornando a sua própria paródia (e não digo isso como elogio, já que Todo Mundo em Pânico é uma obra-prima do cinema de paródia), caindo nas armadilhas que ele mesmo cria, tornando-se o alvo de sua própria piada e não percebendo que nós não estamos mais rindo com ele, e sim dele.
O filme está em exibição nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 2/5