A Sapatona Galática é um longa-metragem de animação australiano, codirigido e coescrito por Emma Hough Hobbs e Leela Varghese. O filme estreia hoje, dia 12 de fevereiro de 2026, e conta 1h27min de uma comédia escrachada que trata de assuntos de autoaceitação e reconhecimento temático LGBTQIAPN+.
Originalmente Lesbian Space Princess (ou em tradução livre: Princesa Espacial Lésbica), o filme conta a história de Saira, princesa do planeta Clitópolis, um planeta utópico onde todas as habitantes são mulheres lésbicas. Saira recebe a missão de salvar sua ex-namora Kiki, a Destruidora, de Homalienígenas Héteros Brancos, e para isso ela deve descobrir como conjurar a sua Lábris real.
Como podem ter percebido, o filme está recheado de homenagens e referências aos símbolos e signos que referenciam o universo lésbico. Das cores, aos nomes, à procura de Saira (Shabana Azeez) pela sua Lábris (aquele machado que é o símbolo principal da primeira bandeira lésbica), tudo remonta à identidade lésbica, que é algo interessante quando é bem utilizado no filme.

Infelizmente, é aqui que acabam meus elogios ao filme. A Sapatona Galática é um filme que teria cortes muito curtidos e comentados na página Quebrando o Tabu. É uma animação pouco inspirada, sem muitos momentos marcantes e com uma estética que não chama atenção. É uma comédia sem quebra de expectativas, você consegue perceber as piadas que vão ser feitas e como elas vão ser puxadas. É um drama que todos os seus aspectos dramáticos já foram trabalhados de forma mais profunda, interessante e intrigante em diversos outros trabalhos.
Mesmo com tudo que falei acima, o roteiro é definitivamente o problema principal do longa. Saira é uma personagem insuportável, é impossível entender qual a parte legal da Kiki que faz ela ser tão apaixonante, e os Homalienígenas Héteros Brancos são o conjunto de piadas mais previsível e sem inspiração que já vi. Em diversos momentos, parece que o filme está ativamente desrespeitando grande parte da comunidade, e seus excessos são em cima de pontos reconhecidamente construídos por personalidades contrárias à existência queer, principalmente quando ele mostra que toda lésbica do filme é depravada e viciada em sexo.

Os trabalhos de atuação do filme não são necessariamente ruins, mas também não são bons. Talvez se o filme tivesse um roteiro mais interessante poderia entregar mais momentos de atuação para Shabana Azeez ou a Willow. Inclusive, o filme tem momentos musicais péssimos, com músicas nada inspiradas e que tornam a experiência de assistir ao longa ainda mais demorada.
Talvez eu não seja o público alvo de A Sapatona Galática, mas é definitivamente um filme que eu acho que não vai ser muito interessante para quem viveu uma jornada de autodescobrimento como no filme. Ele estreia hoje, 12 de fevereiro, nos cinemas brasileiros. É uma animação que não recomendaria, mas assista caso goste da temática e tenha tempo sobrando pra dar nas sofridas uma hora e meia de filme.
Nota: 2/5