Em um futuro próximo, uma planta alienígena nomeada de Darol se fixa no Japão. Durante um ano, essa planta não faz movimentos e os humanos a exploram para entender o fenômeno. Entre os trabalhadores desta missão, conhecemos Rita, uma jovem introspectiva que anseia por algo que mude seu mundo. No dia em que o Darol completa um ano na Terra, ela libera os Mímicos, criaturas monstruosas que devastam tudo. Em combate, Rita morre, mas desperta no início do mesmo dia, presa num ciclo temporal implacável. Ao conhecer Keiji, ela luta, aprende e tenta quebrar o loop para salvar o futuro.
O anime é dirigido por Kenichiro Akimoto e chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12/02). O longa é uma adaptação da HQ de mesmo nome (no original, All You Need is Kill) criada por Hiroshi Sakurazaka. A obra do autor já recebeu uma outra adaptação, o filme live-action No Limite do Amanhã (2014), estrelado por Tom Cruise.
Você Só Precisa Matar tem sua introdução em um clima mais lento, nos ambientando naquele universo, mas longe do didatismo. Rita é uma jovem com seus traumas e inseguranças, se distancia ao máximo das pessoas, e conhecemos esse mundo futurístico a partir do olhar dele, a chegada da árvore alienígena foi para a maioria das pessoas um sinal de desespero, de um possível fim do mundo. Já para a protagonista, foi uma luz de esperança, de que algo poderia realmente mudar, mas nada aconteceu.
O anime é produzido, em sua maior parte, a partir de uma animação 2D, com traços feitos à mão. Porém, mescla com o estilo 3D moderno para enfatizar movimento e sequências de ação. Para os mais conservadores que não aprovam o uso do 3D em animes, pode causar estranheza e um certo distanciamento, mas a obra sabe cuidar muito bem dessa mescla, deixando algo fluido na narrativa.
Outro aspecto técnico bastante explorado no filme é o som. Você Só Precisa Matar dá ênfase às escutas de Rita, e é a partir delas que a personagem vai se situar em um loop temporal. Além disso, os ruídos dissonantes emitidos pelas criaturas alienígenas transmitem para o espectador a sensação de estranheza, de que algo está errado, que realmente está fora do lugar.

Em Você Só Precisa Matar, Akimoto não tenta emular a obra original em animação, muito menos a versão estadunidense. O diretor japonês nos mostra a sua versão da história, focando menos na ação e explorando as nuances dos personagens e como seriam as suas mudanças em um longo loop temporal. Rita se sente sozinha no mundo, e estando presa nesse ciclo o seu sentimento cresce ainda mais, pelo menos até ela conhecer Kenji, que também está vivendo no mesmo loop temporal que ela. Agora a personagem percebe que não precisa enfrentar o desconhecido como uma cavaleira solitária.
Akimoto também transpor a sensação de repetição e tédio para o espectador. Se o filme começa em um tom mais lento, ao decorrer dos dias se repetindo vai ficando mais rápido, as cenas de luta não variam muito entre si, tanto em movimentos quanto em angulações de câmera. Tem dias que a evolução é evidente, em outros o tédio ou o fracasso dominam, quando o espectador se dá conta ele sente o sentimento de exaustão que os personagens estão por reviverem aquele dia inúmeras vezes.

Você Só Precisa Matar é uma obra que vale a ida para o cinema. Provavelmente não será a melhor animação que você verá no ano, o filme deixa de explorar alguns ângulos e nuances narrativas que poderiam o engrandecer ainda mais, mas cumpre o seu papel e não decepciona. O anime nos traz uma boa reflexão de como viver os nossos dias, que diferente dos personagens, são únicos, não temos o direito a um loop temporal.
NOTA: 3/5