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CRÍTICA | O Último Episódio: o filme mineiro que vai emocionar quem cresceu nos anos 90

Um garoto de 13 anos, apaixonado pela colega nova da escola, encontra uma saída improvável para chamar sua atenção: garantir que possui em casa a lendária fita com o episódio final de Caverna do Dragão, desenho cultuado dos anos 80. É a partir desse ponto que O Último Episódio conta a história de Erik, e seus amigos Cassinho e Cristão.

Localizado no ano de 1991, O Último Episódio resgata toda a estética cultural para construir esse universo particular de Maurílio Martins. A obra é baseada na infância do próprio diretor, que como ele mesmo diz, ”eles [os personagens] estudam na mesma escola em que estudei, moram nas mesmas ruas onde cresci. Tem muito de mim ali, espalhado nos personagens, nas fotos, nas histórias”. Maurílio utiliza da trama de A Caverna do Dragão para trazer uma narrativa muito maior, sobre primeiros amores, laços de amizades e familiares, e principalmente sobre amadurecimento.

Além da localização temporal, o filme também se firma muito no local em que se passa. Para além do seu drama de amadurecimento, o O Último Episódio valoriza o bairro Laguna, em Contagem (MG), cidade natal do diretor. Maurílio Martins deixa ainda mais claro essa homenagem através da sua narração em voz off, rememorando sua infância naquelas ruas. Ao mesmo tempo em que a voz off de Maurílio (que interpreta um Erik já adulto) enfatiza esses pontos e serve de fio condutor para nos apresentar o universo dos personagens, também deixa um ar de muito didatismo.

Se a voz off por vezes nos tira da narrativa, o trio protagonista (Matheus Sampaio, Tatiana Costa e Daniel Victor) tratam de nos levar de volta. A química dos adolescentes trouxe uma dinâmica que faz o espectador acreditar que ali se trata de um grupo de amigos, que se ajudam quando mais precisam, mas também tem suas intrigas internas e as coisas que passam despercebidos entre eles até ser óbvio demais. Todos os três personagens têm problemas nas suas famílias, e precisam lidar com isto e aceitar que algumas coisas não podem mudar, mas outras podem ser conciliadas. Apesar de Erik ser o protagonista, o roteiro dá tempo suficiente para que Cristiane/Critão e Cassinho possam se desenvolver.

Apesar do roteiro criar várias subtramas, ele consegue trazer uma resolução satisfatória para o que nos foi colocado. Pode ser que alguns espectadores fiquem decepcionados, mas a iniciação amorosa de Erik não é tão importante na trama, o filme se preocupa bem mais de tratar das relações cotidianas daqueles personagens, as suas dificuldades, e as suas pequenas alegrias.

O Último Episódio é uma comédia dramática bem brasileira em seus signos. O longa vai tocar ainda mais as pessoas que cresceram na década de 1990, e até no início dos anos 2000. Singelo e tocante, o filme retrata um recorte da vida do diretor, mas que poderia ser de vários adolescentes brasileiros. A obra tem a cada da Filmes de Plástico, e mesmo não atingindo a excelência de Marte Um, por exemplo, gera uma sessão digna de ser contemplada.

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