Ruídos apresenta Lee Sun-Bin no papel de Joo-Yeong, uma jovem com deficiência auditiva que retorna para casa após o misterioso desaparecimento de sua irmã, Joo-Hee (interpretada por Han Su-A). A partir daí, o que começa como uma busca por respostas se transforma em uma experiência angustiante, em que o som, ou a ausência dele, se torna o verdadeiro protagonista.

Sun-Bin estreia seu protagonismo no terror com uma atuação que traz à tona uma personalidade já familiar de seus papéis anteriores. Embora não seja uma performance inovadora ou revolucionária, ela cumpre bem o papel de conduzir o espectador pela tensão crescente. O resultado é um filme que, mesmo sem grandes sustos, prende a atenção e provoca aquela sensação de desconforto típica de um bom terror psicológico.
Distribuído pela A2 Filmes, Ruídos intercala o terror psicológico com o paranormal, evocando referências claras a produções como Um Lugar Silencioso, principalmente pela forma como o som é explorado para criar imersão e A Maldição da Residência Hill, pela expectativa constante de aparições em lugares inesperados. Ainda assim, o longa mantém a essência do terror coreano, que sempre soube equilibrar atmosfera e emoção com boas doses de mistério.

A trama, no entanto, é enxuta demais: praticamente tudo se passa em dois corredores de apartamentos, e há pouco aprofundamento do ambiente ao redor. Essa escolha ajuda a criar claustrofobia, mas também limita o desenvolvimento da história. Algumas pontas ficam soltas, como a ajuda inesperada que Joo-Yeong recebe após um ataque ou a real origem dos barulhos que ouvia. Seriam frutos da insanidade? Um resquício da antiga moradora? Ou o lugar sempre foi amaldiçoado?
Mesmo com esses questionamentos em aberto, o filme se destaca por seu refinado design de som e pela solidez do elenco, especialmente de Sun-Bin, que sustenta o clima de tensão quase sozinha.

Exibido em festivais internacionais de destaque, como o Toronto International Film Festival (TIFF), o Florence Korea Film Festival e o Transilvania International Film Festival. Ruídos mostra que o terror coreano continua sabendo brincar com os limites entre o real e o imaginário.
Com 1h30 de duração, o longa já está em exibição nos cinemas brasileiros, entregando uma experiência que é menos sobre sustos e mais sobre a inquietante sensação de estar preso dentro do próprio medo.
Nota: 3/5