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CRÍTICA | Nada mais brasileiro que descobrir a própria história como em “Eu e Meu Avô Nihonjin”

Eu e Meu Avô Nihonjin é um longa-metragem de animação adaptado do livro Nihonjin e aborda a relação entre neto e avô em uma família nipo-brasileira. O livro original, escrito por Oscar Nakasato, venceu o Prêmio Jabuti em 2012, e sua adaptação estreia hoje, dia 16 de outubro de 2025, nos cinemas brasileiros. O longa foi exibido no Festival de Cinema de Animação de Annecy, o maior evento de animação do mundo.

Dirigido por Célia Catunda, Eu e Meu Avô Nihonjin conta a história de Noburo, uma criança brilhante que recebe como tarefa de casa escrever sobre a história de Hideo, seu Ojisan (avô), e sobre como sua família teve origem no Brasil. É uma história sobre raízes, família e autoconhecimento. Quem já conversou com seus pais e avós para entender a história da sua família vai conseguir se colocar na pele de Noburo.

Crítica | “Eu e Meu Avô Nihonjin”: cultura e memória em animação

É simples, bonito e muito tocante. Histórias familiares sempre foram um ponto fraco para os corações mais sensíveis, e essa não é diferente. Noburo é um moleque como todo mundo já foi um dia: curioso, desbocado e impaciente com as histórias dos ‘velhos ranzinzas’ da vida. O avô também não ajuda, sendo o retrato clássico do idoso rabugento que prefere reclamar a conversar.

O longa não conta exatamente em que momento sua história presente se passa, mas o passado de Hideo é muito bem localizado: o início do Século XX, passando pela imigração de japoneses para trabalhar nos cafezais em São Paulo até o fim da Segunda Guerra Mundial e o Estado Novo. O preconceito e o senso de pertencimento em uma nova cultura permeiam a história, e conseguem transmitir essa sensação de dualidade entre tradições até para quem não tem um histórico familiar parecido.

Eu e Meu Avô Nihonjin | Trailer da animação brasileira

Por ser uma animação, não vemos diretamente os atores responsáveis por dar voz aos personagens, mas todos fazem um ótimo trabalho. Destaco o ator Ken Kaneko, responsável pelo sotaque fortíssimo do Ojisan. Em alguns momentos eu tinha até certa dificuldade pra entender o que Hideo estava falando, mas nada ininteligível.

Sobre a animação e a qualidade técnica dela, não existem dúvidas: é um filme lindo. Ela tem inspiração direta na obra do cultuado artista Oscar Oiwa. Existe um quê de familiaridade para quem assistia desenhos brasileiros nos anos 2000 e 2010, até porque Célia Catunda, a diretora do filme, é conhecida por desenhos como Peixonauta, O Show da Luna e As Aventuras de Teca.

Meu Avô é um Nihonjin”, da Pinguim Content, participa da sessão Work in  Progress do Festival de Cannes – Revista de Cinema

Outro aspecto marcante do longa é a trilha sonora, de assinatura dos músicos André Abujarama e Marcio Nigro, que criam músicas que compõem a estética de influências japonesas e brasileiras. A música final do filme é bem legal, diga-se de passagem.

Eu e Meu Avô Nihonjin foi produzido pela Pinguim Content e distribuído pela H2O Films. Estreia hoje, 16 de outubro, nos cinemas brasileiros. É uma animação que merece ser vista por todos que se interessam pela história do Brasil e pela imigração japonesa — e que, com certeza, vai emocionar muita gente.

Nota: 4/5

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