CRÍTICA | Jurassic World: Recomeço falha em reviver o charme da franquia e entrega uma experiência esquecível

Uma tentativa desesperada de reafirmar o universo estabelecido em Jurassic Park e reforçado por uma extensão peculiar na primeira trilogia de Jurassic World, Jurassic World: Recomeço chega para ampliar as discussões da sociedade ao redor dos dinossauros, como feito 30 anos atrás, mas sem o charme e o carisma de seus antecessores.

Cinco anos após Jurassic World: Domínio, uma nova missão leva uma equipe a regiões tropicais isoladas para coletar DNA das três maiores criaturas da terra, do mar e do ar. O objetivo é desenvolver um medicamento revolucionário, mas o grupo precisa enfrentar perigos extremos em um mundo onde os dinossauros sobreviventes reinam livres.

Jurassic World Rebirth ganha um novo trailer. - gPotato

Com direção de Gareth Edwards (Rogue One) e roteiro de David Koepp (Presença), na sociedade de Jurassic World: Recomeço, a população já está acostumada com a existência de dinossauros. Continuam os usando como atração, os exploram cientificamente e os inserem em um ambiente inóspito para sua sobrevivência. Novamente, uma grande corporação vê os dinossauros como uma galinha dos ovos de ouro e, assim, começa a trama do filme, que é dividida entre a sobrevivência de uma família que estava viajando de barco e uma expedição científica.

Estrelado por Scarlett Johansson, Jonathan Bailey, Mahershala Ali e um grande elenco, Jurassic World: Recomeço tem uma séria dificuldade em criar personagens que gerem algum tipo de afeição com o público. Na equipe de cientistas, apenas Zora (Johansson), Dr. Loomis (Bailey) e, em menor escala, Kincaid (Ali) têm algum destaque — o restante da equipe se torna mero figurante. No núcleo familiar, por outro lado, todos têm espaço demais. A dinâmica demora a funcionar, não é coesa e muito menos atrativa. Não torcemos pela sobrevivência de ninguém; pelo contrário, o sentimento que fica é de revolta pelas oportunidades de mortes icônicas que foram desperdiçadas.

Por sorte, Bailey consegue resgatar a atenção do espectador em momentos muito específicos, sendo o paleontólogo clássico da franquia. Representando o lado humano e também o mais surpreendente, Dr. Loomis protagoniza cenas emocionantes ao estilo Em Busca do Vale Encantado e nos faz lembrar de como era gostoso ver a franquia anos atrás.

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Bem, uma coisa Jurassic World: Recomeço não errou: os dinossauros. A ideia deles estarem em uma ilha que serve como “descarte” para experiências científicas que não deram certo resgata a aura de terror da franquia. Dinossauros medonhos surgem para nos lembrar do medo primitivo que foi assistir Jurassic Park pela primeira vez quando crianças. Com um visual meio Alien, o melhor dinossauro é guardado para o fim. Com sequências de ação e um suspense doloroso, essas cenas só perdem força pela falta de coração do roteiro, que tinha pena de eliminar personagens em risco.

A sensação que fica é que Jurassic World: Recomeço é um filme fast food: parece ter sido feito às pressas, sem coesão, nem coerência, e com personagens apáticos e detestáveis (com exceção de Jonathan Bailey, que encarna perfeitamente o clássico nerd fã de dinossauros). O filme é totalmente esquecível dentro da franquia. Para os fãs, pode se tornar uma experiência frustrante, com uma história insossa e até intragável em certos diálogos vergonhosos. No fim, só resta dizer: por favor, não façam mais filmes dessa franquia.

O filme estreia nesta quinta-feira (03) nos cinemas de todo o país.

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