Na década de 1990, Sonny Hayes era o piloto mais promissor da Fórmula 1 até que um acidente na pista quase encerrou sua carreira. Trinta anos depois, o proprietário de uma equipe de Fórmula 1 em dificuldades convence Sonny a voltar a correr e se tornar o melhor do mundo.
F1 é dirigido por Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick), e escrito pelo diretor em parceria com Ehren Kruger (Transformers – A Vingança dos Derrotados). A escolha da dupla foi certeira, pois Kosinski sabe muito bem criar uma atmosfera cheia de tensão e adrenalina – principalmente se a tela estiver cheia de testosterona, o que não é difícil no contexto da Fórmula 1.
O filme consegue replicar bem o ambiente da modalidade automobilística e, no possível dentro da sua dramaticidade, é verossímil com a realidade. Além disso, F1 atinge os fãs, mas também aqueles que não gostam tanto de corrida, explicam o necessário para os desdobramentos da trama, mas sem ficar excessivamente didático para contextualizar no universo.
Mas para além da imersão na Fórmula 1, um dos maiores destaques do filme é o retorno de Brad Pitt (Clube da Luta; Troia) ao protagonismo como um sex appeal aos seus 61 anos. F1 traz dois galãs geracionais para o protagonismo, o próprio Brad Pitt, interpretando Sonny Hayes, um piloto que teve sua carreira encerrada precocemente graças a um acidente e seu temperamento; e Damson Idris (Snowfall), como Joshua Pearce, um jovem e promissor piloto, que precisa se provar dentro de uma equipe quase falida.

Apesar do protagonismo dividido, o filme deixa claro que o herói da trama é Sonny Hayes e sua jornada de redenção. Acredito que inicialmente Joshua até tinha um desenvolvimento maior, mas escolhas para além da tela deixam claro que os produtores escolheram outro caminho – o que ficou evidenciado após o corte das cenas de Simone Ashley, que interpretaria o interesse amoroso do jovem.
Inclusive o roteiro não foi nada generoso com as personagens femininas, apesar de tentar evidenciá-las de algum modo. F1 nos apresenta três mulheres: Jodie, interpretada por Callie Cooke (Henpocalypse!), uma técnica da equipe Apex, que parece não ter muita confiança em si e seu micro arco é fazer a troca de pneus sem errar; Sarah Niles (Ted Lasso), interpreta Bernadete Pearce, a mãe de Joshua, que apesar do filme tentar apresentá-la como uma mulher forte, a personagem funciona como um suporte emocional para o jovem piloto.
A terceira personagem é a mais central na trama: Kate McKenna, interpretada por Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin). Kate é a responsável pelo funcionamento e engenharia dos carros da Apex, a sua função é fazê-los desempenhar o melhor dos pilotos na pista. O seu arco e background apresentados são até interessantes, porém a personagem se torna uma boba apaixonada quando está ao lado de Sonny, e para piorar seu desenvolvimento, a sua maior conquista é também uma ideia do piloto e não da própria engenheira.
F1 é um filme divertido e emocionante. Funciona como um ótimo entretenimento, principalmente para aqueles que gostam de uma adrenalina moldes Top Gun, porém peca em suas decisões de roteiro, não trazendo desenvolvimento interessantes para personagens além do principal e com um excesso de frases de efeito para impactar o espectador.
O filme também cumpre a sua missão em evidenciar o velho Brad Pitt como um galã. Seja pela interpretação do ator, que não perdeu o timing em uma atuação sedutora, ou pelo desenvolvimento de um romance forçado – que, sinceramente, a trama funcionaria bem melhor sem ele.
NOTA: 3/5








