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CRÍTICA | “Extermínio: A Evolução” e o caos de existir pós-fim do mundo

Em 2002, Danny Boyle revitalizou o cenário do terror-zumbi nos cinemas com o lançamento de Extermínio, estrelado por um Cillian Murph pré-Oscar. Utilizando uma câmera digital Canon XL1 para dar uma efeito mais “documentário” ao filme apocalíptico, o diretor retorna 23 anos depois com a mesma versatilidade cinematográfica com “Extermínio: A Evolução“, só que agora utilizando um iPhone 15 Pro Max.

Trinta anos após o surto do vírus da raiva, um grupo de sobreviventes vive isolado em uma ilha protegida. Quando uma missão os força a deixar a segurança dos muros, eles descobrem que o terror evoluiu — e que as mutações não afetam só os infectados, mas também os que ainda restam.

28 Years Later: That Terrifying Poem Chat Is a Rudyard Kipling Poem

Dirigido por Boyle e roteirizado por Alex Garland, “Extermínio: A Evolução” tem muito bem definido os três atos da sua narrativa. Introduzindo a história com o início do surto do vírus em uma estética bem definida, seguido pela dinâmica entre pai e filho que motiva a jornada individual de luto do protagonista-mirim. Nesses três atos, o diretor toma a liberdade criativa de defini-los também pelo senso estético da fotografia, usando e abusando de efeitos como blur ou ângulos e planos que vão destoar das cenas seguintes.

A introdução da história, focada em um grupo de crianças assistindo aos teletubbies, resgata a característica crua e documentalista do primeiro filme lançado em 2002. Usando o contra-plongée como seu maior aliado, o cineasta aproxima o espectador desse terror caseiro, meio bagunçado e que choca ainda mais do que o que veremos a seguir na produção.

Massagens massama

Quando o filme avança para a dinâmica pai e filho, trazendo à luz da trama as performances de Aaron Taylor-Johnson e Alfie Williams nesses papéis, “Extermínio: A Evolução” perde um pouco seu brilho. A introdução desse novo formato de sociedade e como os papéis sociais estão sendo exigidos é um ótimo caso de estudo que o roteiro de Garland traz. Contudo, a característica que trazia identidade original ao filme se perde nesse momento, transformando-o em uma narrativa pós-apocalíptica genérica.

Ainda bem que esses momentos não se perduram, assim que começamos a observar que a dinâmica entre os zumbis também mudou, agora sendo separados em grupos de ameaça e até mesmo coexistindo em uma sociedade deles, o filme nos faz voltar a ganhar interesse por ele.

SPOILER] on their '28 Years Later' death and train scene with an infected

Contudo, o maior destaque do longa metragem não vai para as cenas de ação, o gore ou o zumbi-alfa, nomeado Sansão, e sim o processo de luto e aproximação com uma sociedade mais humanizada que agora é inexistente. A partir do momento que  Jodie Comer ganha mais destaque fora dos muros da ilha, “Extermínio: A Evolução” ganha uma áurea diferente. A trajetória entre mãe e filho em busca de um salvador, vivido por Ralph Fiennes, mescla humor, ação, medo, esperança e aceitação. Todos os sentimentos vívidos através de relações humanas (e até não tão humanas assim), realizando um paralelo com a sociedade ilusória da Ilha que – para sobreviver – esqueceram do que um dia já foi o mundo.

É claro que, mesmo com toda dramaticidade que o texto de Garland traz nesse ato final, Boyle não abandona o horror do fim do mundo. Em uma sociedade parada no tempo, enquanto o mundo exterior vive normalmente ignorando a sua existência, as cenas de confronto, fuga e susto são bem colocadas afim de não se afastar do gênero do horror que o filme está inserido.

“Extermínio: A Evolução” é um filme… diferente. As escolhas cinematográficas podem afastar parte do público que vai estranhar o conflito de identidades visuais mesclando a todo momento. Contudo, o drama familiar trazido, a evolução zumbi e o mundo pós-apocalíptico que ele traz são fatores relevantes e que vão pesar mais a favor do filme. E, bem, se você gostar do filme vai gostar ainda mais de saber que existem mais dois dele vindo aí.

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