Com direção de Adrian Molina, conhecido por emocionar o público em “Viva – A Vida é uma Festa”, o novo longa da Pixar, “Elio”, tenta tocar em temas como pertencimento, amizade e solidão infantil. Mas será que consegue? O filme estreia no dia 19 de junho nos cinemas de todo o Brasil.
A trama de Elio, protagonista do filme, é focada nessa criança órfã que mora com sua tia Olga — major do exército. O protagonista se sente deslocado em relação a outras crianças, que ele julga “normais”, e, por isso, busca contato com seres extraterrestres na esperança de, ao ser abduzido, sentir-se finalmente em casa.

Com uma premissa simples, os personagens apresentam características interessantes, mas mal desenvolvidas ao longo da animação. Na minha visão, a ideia central do filme é que toda criança é especial e nunca está realmente sozinha — ainda que isso não seja mostrado com clareza. É justamente aí que vejo a maior falha do longa.
Elio é enviado a um acampamento após se meter em confusão com outras crianças durante uma atividade na praia. Perseguido por elas, que poderiam facilmente se conectar a ele por gostos semelhantes, o protagonista foge e acaba sendo abduzido. Assim, é apresentado a uma comunidade de ETs que se reúnem para trocar conhecimento.
Dentro dessa comunidade, Elio é identificado como o líder de seu povo — a raça humana — e se torna um candidato a fazer parte do grupo ao propor um acordo de paz com o vilão do longa.

Quando o antagonista é apresentado — Lord Grigon —, vemos apenas seu lado bélico, interessado em destruir e conquistar planetas por meio da violência, algo que parece ser comum em sua espécie. Quando Elio tenta negociar com o vilão e o plano dá errado, ele conhece Gordon, o filho de Grigon.
Gordon, também uma criança alienígena, sente-se deslocado dentro de sua espécie, já que possui uma personalidade mais voltada ao afeto, alegria e empatia.

A construção da relação entre Elio e Gordon é bem desenvolvida, considerando o sentimento de solidão que ambos compartilham em suas respectivas infâncias. No entanto, essa é basicamente a única relação bem explorada nos 99 minutos de duração do filme. Falta profundidade nas relações de Elio com a tia Olga e de Gordon com Grigon, o que poderia ter reforçado a ideia do acolhimento adulto diante da solidão infantil.
Apesar da trama ser envolvente, com cores vibrantes e pitadas de ação, o filme é apenas razoável. Não inova e tampouco entrega um conteúdo efetivamente educativo para seu público-alvo, que são as crianças.
Elio estreia no dia 19 de junho nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 3,5