É inegável o impacto cultural que o Mágico Oz proporcionou ao longo dos anos, seja do livro lançado em 1900 ou do clássico cinematográfico de 1939, o universo mágico foi responsável por maravilhar, comover e também por inspirar uma expansão de universo pelas mãos de Gregory Maguire em 1995, com o livro que concedeu a profundidade que não sabíamos que precisávamos, nos apresentando Elphaba e Glinda.
Baseado em um dos musicais mais famosos e bem sucedidos da Broadway, “Wicked“, filme de Jon M. Chu traz Ariana Grande e Cynthia Erivo nos papéis principais, para contar a história não contada da Bruxa Boa e da Bruxa Má do Oeste.
Na trama, Elphaba (Erivo) é uma jovem do Reino de Oz, mas incompreendida por causa de sua pele verde incomum e por ainda não ter descoberto seu verdadeiro poder. Sua rotina é tranquila e pouco interessante, mas ao iniciar seus estudos na Universidade de Shiz, seu destino encontra Glinda (Grande), uma jovem popular e ambiciosa, nascida em berço de ouro, que só quer garantir seus privilégios e ainda não conhece sua verdadeira alma. As duas iniciam uma inesperada amizade; no entanto, suas diferenças, como o desejo de Glinda pela popularidade e poder, e a determinação de Elphaba em permanecer fiel a si mesma, entram no caminho, o que pode perpetuar no futuro de cada uma e em como as pessoas de Oz as enxergam.

Ouso dizer que Wicked é uma das poucas histórias que conseguiu ter ótimas adaptações ao longo dos anos, desde 2003 a história já passou pelas mãos de atrizes conceituadas do teatro seja Idina Menzel, Kristin Chenoweth e até mesmo as brasileiras Myra Ruiz e Fabi Ban. Não importa o ano ou o idioma, os fãs de Wicked sempre tiveram a certeza que a história seria apresentada com nada além da perfeição. Por isso, antes mesmo da estreia do longa, a pergunta pairava no ar: seria Jon M. Chu capaz de honrar esse legado impecável?
Bem, dedicação e empenho é algo que não se pode negar no desempenho de Jon M. Chu, o diretor não escondeu a vontade de querer usar cenários práticos como o teatro de forma potencializada. 9 milhões de tulipas foram plantadas e cultivadas no norte da Inglaterra, onde a produção foi filmada, para criar o campo de tulipas, e o CGI utilizado foi de forma sutil, de maneira que trabalhasse para adicionar o já existente e não substitui-lo.
Apesar disso, será que a construção do set é suficiente para um filme excelente? É claro que não. Contudo, apesar de Jon M. Chu tomar decisões questionáveis a respeito de iluminação, o cineasta honra a memória de Wicked com uma adaptação essencialmente perfeita. Seja na tomada de decisão do figurino ou do roteiro que cresce em um texto rebelde e revolucionário até os momentos finais quando Defying Gravity ecoa pela voz imponente de Cynthia Erivo.

Urge a necessidade de afirmar que se alguém duvidava da capacidade de Ariana Grande, isso foi anulado nos minutos iniciais de Wicked. A cantora e atriz nasceu para viver a Bruxa Boa, desde dos seus trejeitos cômicos, o seu entoar característico da personagem, Grande se moldou, se adaptou e se encaixou em um molde difícil para qualquer um que segue o legado de grande atrizes. Por outro lado, Cynthia Erivo nunca levantou uma migalha de dúvida sequer da sua capacidade. Responsável por performances icônicas como em Harriet – O Caminho para a Liberdade, Erivo é uma artista completa, dramática na medida certa, com potencial vocal invejável e o poder de identificação necessário para uma personagem como Elphaba.
Outros personagens igualmente memoráveis e importantes compõem a história, como a Nessarose (vivida por Marissa Bode) e Boq (vivido por Ethan Slater), mas, entre os secundários, quem se destaca de forma positiva é definitivamente Jonathan Bailey como Fiyero. A áurea de um príncipe inconsequente é tão inebriante como sua música solo, Dancing Through Life.

Por outro lado, infelizmente, grandes atores também apresentaram grandes decepções. Jeff Goldblum e Michelle Yeoh, que viveram, respectivamente, O Wizard e Madame Morrible, são extremamente decepcionantes. Sua performance é contida, quando na verdade deveria gerar o efeito totalmente o contrário. Personagens carregados de ambições imorais, em uma história de fantasia, são apresentados de maneira tão fria que chega destoar de tudo que está ao seu redor, como macacos voadores.
Apesar de ter passado despercebido na temporada de premiações, com exceção das categorias técnicas e a de Melhor Direção no Critics’ Choice Award, Wicked é uma felicidade para os fãs de musicais que acompanharam ao longo dos anos a história florescer e conquistar o mundo. Nascendo como um clássico instantâneo, a produção cinematográfica conquista uma nova legião de fãs e ajuda na eternização dos tijolos amarelos na história da cultura pop.
Wicked: Parte 2 estreia em 20 de novembro de 2025.
Nota: 4,5/5