Um dos maiores nomes do folk norte americano, e também do rock, Bob Dylan finalmente ganhou uma cinebiografia para chamar de sua! Estrelado por Timothée Chalamet, Um Completo Desconhecido foca muito mais em trazer o brilhantismo do cantor ao criar sua arte, seu viés politizado e revolucionário, do que apresentar quem foi de fato o homem por trás da gaita de boca.
Situado na influente cena musical de Nova York do início dos anos 60, em Um Completo Desconhecido vemos o jovem Dylan, um músico de Minnesota, que com apenas 19 anos caminha rumo à sua ascensão na música. Passando de cantor folk, para as salas de concerto e ao topo das paradas, culminando em sua performance inovadora de rock and roll elétrico no Festival Folclórico de Newport em 1965, definindo um dos momentos mais transformadores da música do século XX.

Iniciando o filme no centro de um tribunal, onde o cantor Pete Seeger (Edward Norton) estava sendo julgado por seu “radicalismo musical”, Um Completo Desconhecido dita o tom que procurou manter ao longo das suas 2 horas e 20 minutos, exibindo um Bob Dylan transgressor, desafiador e, sem dúvidas, alguém que não tinha receio de se posicionar politicamente.
Surpreendentemente, Timothée Chalamet demonstrar estar mais confortável do que o previsto no papel do cantor. A primeira vez que surge em tela consegue exibir toda inocência e brilho juvenil e conforme a história se avança a personalidade forte se destaca. Não resta dúvidas de que Chalamet estudou Bob Dylan de cabo a rabo, seu tom de voz é similar, seus trejeitos são assustadoramente iguais ao do cantor, como se Chalamet se permitisse sumir para Dylan surgir.

Todavia, se para Chalamet só sobram elogios, para o restante do elenco a mediocridade se faz presente. Não me leve a mal, não coloco em cheque a escolha do elenco, até porque nenhum se propõe a diminuir a qualidade da obra. Contudo, a escolha criativa da construção de uma narrativa mais distante e menos pessoal não abre espaço para a profundidade de uma cinebiografia que se propõe a humanizar uma lenda. Em Um Completo Desconhecido, Bob Dylan permanece desconhecido a todo instante, além da sua personalidade por vezes arredia, não sabemos nada além do seu brilhantismo artístico. E isso se estende para todos ao seu redor.
Quanto a escolha da seleção musical, a caracterização dos atores, bem como dos cenários, não resta uma migalha de dúvida de que Um Completo Desconhecido é um filme atencioso aos detalhes. Carrega consigo a pretensão de criar uma máquina do tempo e recriar momentos da cultura pop que irão deixar qualquer fã de música afoito e elétrico.

Talvez o maior erro de Um Completo Desconhecido seja perpetuar essa ideia criada pelo Bob Dylan de se afastar do público e só apresentar a narrativa mirabolante que ele criava. A cinebiografia não carrega nada de especial, além dos momentos musicais que, em sua maioria, são motivados por eventos políticos significativos da época. Sendo assim, fica no fundo uma frustração inevitável de que a obra poderia ter entregado algo muito mais impactante.
Indicado a 8 categorias no Oscar 2025, incluindo a de Melhor Filme e Melhor Ator, Um Completo Desconhecido estreia nesta quinta-feira (27) nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 3/5