Lançado nacionalmente no dia 30 de janeiro, Setembro 5 (September 5) é um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Roteiro Original. O longa é um drama histórico, contando a história por trás da cobertura do sequestro de atletas israelenses durante as Olimpíadas de Munique, em 1972. Com 1h35min de duração, Setembro 5 é dirigido por Tim Fehlbaum e possui Peter Sarsgaard, John Magaro e Leonie Benesch como alguns dos personagens de destaque.
Mostrando os bastidores da cobertura esportiva produzida pela ABC, vemos a história de uma das primeiras vezes que a palavra terrorista foi usada em um meio televisivo. Acompanhamos o chefe da sala de controle do jornal, Geoffrey Mason (John Magaro), ao longo de todo o dia 5 de setembro de 1972, conhecido como o Massacre de Munique.

Inicialmente focados na cobertura esportiva das Olimpíadas, Mason recebe responsabilidade de tirar o foco da cobertura esportiva do evento e cobrir o sequestro de 11 atletas de Israel. A história, baseada em fatos, fala sobre o sequestro realizado pelo Setembro Negro, organização terrorista que era parte radical da Organização para a Libertação Palestina (OLP).
A história, embora tenha o evento como plano de fundo, fala muito mais sobre ética jornalistica, a pressão e a responsabilidade que os comunicadores possuem ao abordar esse tipo de assunto. Poucas informações sobre o sequestro e as motivações dele são realmente trabalhadas durante o filme, uma decisão que parece evitar propositalmente questões que podem ser ligadas ao conflito Israel-Palestina que vemos acontecer até hoje.
O grande ponto forte do filme é o roteiro, que recria o funcionamento da cobertura dos eventos desse dia marcante para a história. Personagens como Marianne Gebhardt (Leonie Benesch) são escritos no filme para debater não apenas o jornalismo, mas a culpa alemã que passou a existir após a Segunda Guerra Mundial.

Quando falo do roteiro, é difícil as vezes descontextualizar a história dele da situação política que vemos hoje. É um filme sobre uma cobertura jornalística, não é um documento histórico que se propõe à contar a história de todo o conflito que assola os palestinos. O Massacre de Munique foi um evento real, e como um evento real, ele é retratado de maneira crua, mas escolhe intencionalmente fugir dos motivos e explorar a relação da Palestina contra Israel e as questões que formaram o grupo e “incentivaram” suas ações.
Saindo da discussão sobre a validade do “doisladismo”, o longa é tecnicamente bem feito, embora simples. As atuações são boas, sentimos bem o desespero que os personagens de Magaro e de Benesch sentem, principalmente a culpa da alemã. Não é um filme com grandes atuações, mas não se falha nesse quesito.
Em outros aspectos o filme é ainda mais sutil. A trilha sonora e a fotografia ficam em segundo plano, sem muitos momentos marcantes que chamem atenção ou que possam ser destacados.

A edição e montagem do filme são um dos aspectos mais positivos. As cenas da cobertura foram retiradas da transmissão real, algo que não havia percebido durante a minha experiência com o filme. A interação entre Geoffrey Mason e Jim McKay (o âncora da ABC Sports) é real, e se não tivesse pesquisado, teria acreditado que acharam apenas um ator idêntico ao jornalista.
No geral, é um longa que aborda um tema polêmico (como quase todo filme sobre jornalismo), e que aborda seus temas de maneira inteligente. Não é um dos melhores filmes que vi esse ano, mas seu trabalho de recontar essa história mereceu a indicação à sua categoria, embora pessoalmente não receba a minha torcida. De toda forma, vale assistir ao longa.
Nota: 3.5/5