Uma das grandes animações a concorrer ao Oscar de 2025 é Memórias de um Caracol, roteirizado e dirigido por Adam Elliot. Definitivamente não é uma produção para crianças e nem agradará todos os públicos – e explicarei os motivos mais abaixo -, mas é, de certa forma, encantador, triste, palpável e plausível.
Admito que não estava com a menor vontade de assistir a esta produção, mas ela caiu no meu colo e resolvi dar uma chance. Não me arrependo nem por um segundo. A animação discorre, ao longo de cerca de 90 minutos, sobre o ciclo da vida, sobre as tragédias que ela nos apresenta, sobre alegria e arrependimentos. Mas como você vai enxergar tudo isso?

É muito simples nos depararmos com as tristezas da vida e focarmos quase que exclusivamente nelas. É mais fácil ser triste do que feliz. Mas, no meio de todos esses furacões e catástrofes, não há felicidades? Até onde nos colocamos em prisões à espera de algumas coisas e deixamos de viver a breve vida? Memórias de um Caracol levanta esses temas e deixa que o espectador tire as suas próprias conclusões.
Acho, inclusive, que este é o grande mérito da produção: não subestimar a inteligência de quem está assistindo. Elliot apresenta os fatos e os acontecimentos e deixa que o público os interprete da forma que bem entenderem. Exatamente por isso que muitas pessoas podem achar que o longa seja deveras triste.

Porém, confiem no conselho do tio Henrique Schmidt: Memórias de um Caracol vale a pena, tanto pela sua beleza trágica quanto pela sua melancolia. É um belo passeio por reflexões sobre a vida, sobre o que ela é, o que deixou de ser e o que poderia ser se permitíssemos.
Nota: 4,5/5