Dia 30 de janeiro chega nos cinemas brasileiros Kasa Branca, o novo filme de Luciano Vidigal (Cidade de Deus – 10 anos depois). No longa conhecemos Dé (Big Jaum), um adolescente negro da periferia do Rio de Janeiro que descobre que sua avó, Dona Almerinda (Teca Pereira), está na fase terminal da doença de Alzheimer. Ele tem a ajuda de seus dois melhores amigos para enfrentar o mundo e aproveitar os últimos dias de vida de sua avó.
Kasa Branca é uma história bastante brasileira, abre a discussão para diversos temas, mas o seu plot principal é a cumplicidade entre esse trio de amigos que vivem problemas diferentes, mas sempre estão presentes um pelo outro. O longa faz uma mescla em seu elenco de atores experientes, como Babu Santana e Teca Pereira, com figuras midiáticas, mas que não tem um vasto trabalho na atuação, como o próprio protagonista, Big Jaum, e o reaper L7nnon, que faz uma participação como ele mesmo.
Big Jaum foi uma grata surpresa no longa, o comediante conseguiu dar vida a um personagem que precisava de uma forte carga dramática, mesclando muito bem os momentos de tristeza com as partes divertidas do longa. Ramon Francisco e Diego Francisco, que interpretam Martins e Adrianin, respectivamente, também entregam ótimas performances. Martins é um personagem mais solto para a vida, o filme nos apresenta uma fagulha de suas questões com a sexualidade, mas acaba não desenvolvendo algo que poderia enriquecer o personagem. Já Adrianim é um personagem mais sentimental, e precisa lidar com as dores do coração partido.
Quem também se destaca em cena é Gi Fernandes, interpretando Talita. Gi já tem se destacado em projetos dentro da Globo, como as séries Os Outros e Justiça 2, em Kasa Branca ela está em um lugar próximo de outras personagens que já viveu, sendo uma jovem mãe seguindo seu sonho de se tornar uma cantora.

Entre os aspectos técnicos, o que mais chama a atenção é a fotografia de Arthur Sherman. Apesar de em boa parte do filme a fotografia estar em um lugar comum, servindo à narrativa, há momentos em que ela salta aos olhos com frames que se retirados, poderiam virar quadros. As imagens de transição/respiro não fogem da construção do filme, mas também nos dão bonitas imagens, mostrando um belo diálogo entre a fotografia e a montagem.
Como já dito, o roteiro de Luciano Vidigal toca em diversos pontos, alguns bem trabalhados, outros apenas perpassam pela narrativa e não são desenvolvidos, mas também não são jogados de forma irresponsável. A sua direção foi bem conduzida, expressando uma naturalidade na tela, nos levando a crer que até mesmo os momentos mais inusitados poderiam realmente acontecer com aqueles jovens.
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Kasa Branca é um belo filme e uma bela homenagem. Apesar de ter um fio condutor triste, que é a doença terminal da avó de Dé, o longa nos dá esperança de um acolhimento dentro da sua comunidade (que nem sempre é a sua família sanguínea). Cada acontecimento em Kasa Branca, positivo e negativo, representa a vida de algum jovem negro brasileiro que precisa passar pelos percalços da vida, mas também lembrar que a vida na favela não é só tristeza.
O filme estreia no dia 30 de janeiro nos cinemas de todo o Brasil.
NOTA: 5/5