Depois de uma parceria de sucesso em 2020, quando dirigiu o/a excelente remake/atualização de “O Homem Invisível”, Leigh Whannell foi escolhido para recriar mais um dos famosos “monstros da Universal Pictures”. A escolha da vez foi o bom e interessante “Lobisomem”, uma atualização do clássico dos anos 1940 “O Lobisomem”.
Admito que, se comparado com “O Homem Invisível”, “Lobisomem” deixa a desejar em diferentes aspectos, inclusive no carisma e aprofundamento de alguns personagens. No entanto, algo que já parece ser uma marca registrada de Whannell mais uma vez se sobressai: a ambientação do suspense da obra.
É mágica a facilidade que o diretor tem de criar um ambiente de suspense a apreensão que deixa o espectador grudado na cadeira e atento a quaisquer mudanças no cenário do filme, seja em primeiro plano ou no fundo desfocado do cenário. Aliado a isso, a mixagem de som e a utilização da trilha sonora para aumentar a tensão é mais um dos pontos fortes do diretor para a sequência do filme.

É bastante interessante ver como Whannell cria um aprofundamento e humanização do personagem Blake, vivido pelo ator Christopher Abbott. Sendo, de fato, o protagonista da história, o ator consegue dar amplitude aos sentimentos e aflições que o personagem e o diretor querem passar com eles.
Por outro lado, as co protagonistas Charlotte, interpretada por Julia Garner, e Ginger, vivida por Matilda Firth, que vivem bem os seus papeis, não têm uma história tão aprofundada e debatida abertamente. Tudo o que sabemos sobre a relação do casal Blake e Charlotte é que eles estão em crise, enquanto a filha Ginger torna-se mais próxima do pai do que da mãe.
Apesar disso, Charlotte convence como uma excelente ‘final girl’. Suas escolhas pensando sempre no bem-estar e segurança da família, tanto da filha quanto a do marido enquanto ele está se transformando em um Lobisomem, convencem e conseguem cativar os espectadores. Se o público pode demorar a se convencer com a importância da personagem, com o passar do longa vai ficando mais evidente que ela é extremamente necessária para a história.

Já como forma de metáfora, o diretor Whannell utiliza o horror psicológico e o “desenvolvimento da doença” para dar amplitude para o filme, mesmo com poucos personagens. Isso porque, Whannell admitiu que o roteiro começou a ser escrito ainda durante a pandemia de Covid-19. Por isso, o diretor teve a ideia de utilizar a transformação do Lobisomem como uma alegoria para o desenvolvimento de doenças e como isso afetaria familiares e o doente.
Em resumo, a nova versão do clássico Lobisomem vale a pena ser vista. Não é um filme que vai reinventar o gênero ou matar alguém de susto – apesar de que há excelentes momentos jump scares ao longo da produção -, mas vai divertir e convencer durante os seus cerca de 100 minutos de duração.
Nota: 3,5/5