Repetindo a parceria do clássico Forrest Grump, Tom Hanks, Robin Wright e o cineasta Robert Zemeckis se reúnem em “Aqui“, o filme que mesmo antes da sua estreia gerou polêmicas quanto ao uso de IA para rejuvenescer o atores, carrega consigo a promessa de cativar o público com uma coletânea de memórias compartilhas em um único ambiente.
Em “Aqui”, toda história é ambientada em um único lugar: a sala de uma casa. Acompanhando diversas famílias ao longo de gerações, todas conectadas por este espaço tempo que um dia chamaram de lar. Usando esse espaço único para ilustrar as transformações ocorridas em diversas eras, desde os primórdios da humanidade. Richard (Tom Hanks) e Margaret (Robin Wright) são um casal prestes a deixar o lar onde colecionaram uma emocionante jornada de amor, perdas, risos e memória, que transportaram desde o passado mais distante até um futuro próximo.

Casamentos, nascimentos, funerais, amores, desavenças e tudo que é inerente do ser humano é passado diante dos nossos olhos na mesma sala. Desde do início da civilização humana, com os nativos americanos, a Guerra de Independência dos Estados Unidos e as guerras modernas, Aqui percorre pela história para exibir claro e em bom tom como um lembrete que o que nos une através de eras é a humanidade compartilhada. O que justamente, paradoxalmente, nos torna humanos.
Tom Hanks e Robin Wright protagonizam uma das várias histórias passadas neste mesmo lugar, mas compartilham um elo em comum com todos os outros: tristeza, felicidade, doenças, crises e a inevitável morte, ou seja, tudo que é intrínseco do que é ser humano. “Aqui” não tem a missão de ser irreverente e revolucionário em seu texto, mas constrói com sutileza uma profundidade emocional avassaladora, entre perdas e conquistas, o filme de Zemeckis emociona, comove e conquista pela identificação.

A câmera fixa, como uma regra universal de “Aqui“, nos permite ver um recorte do que foi a vida de todos que passaram por ali. É um exercício de imaginação e também uma lição metafórica, como se todo filme fizesse parte de uma grande memória compartilhada daquele ponto geográfico, e como na vida real, tudo que lembramos de nossa vida são recortes que – por algum motivo – marcaram a nossa história pessoal.
Em “Aqui” o tempo é o seu maior aliado e também seu maior inimigo. Ao mesmo tempo que assusta, fascina. Entre vidas longas e outras que partiram cedo demais, todas as histórias convergem em uma única mensagem: o privilégio que é poder gozar do tempo em vida, quão afortunados são aqueles que podem rir e chorar, compartilhar momentos e fazer tudo que é intrinsecamente viver, ainda que carregue arrependimentos, sonhos perdidos e frustrações inevitáveis da vida.

O filme de Robert Zemeckis vem para nos mostrar que não estamos sozinhos. E, bem, isso me lembrou de uma reflexão em vídeo feito pelo ator Ethan Hawke, em que ele diz que arte é sustento e alimento. Arte vem para nos mostrar que não estamos sozinhos, alguém do outro lado do mundo, que fala outro idioma, em outra época e cultura, viveu as mesmas dores e alegrias que você experimenta agora pela primeira vez. Bem como este filme, que através de sua montagem e edição vem para nos lembrar que desde dos primórdios dos tempos a humanidade estava inteiramente interligada pelo seu fascínio em viver.
“Aqui” chega nos cinemas brasileiros no dia 16 de janeiro.
Nota: 4/5