Inspirado na obra de Vinicius de Moraes, “Arca de Noé” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 7 de novembro, garantindo uma diversão incontestável para todas as faixas etárias. Criando uma conexão imediata com a brasilidade da história, a animação dirigida pela dupla Sérgio Machado e Alois Di Leo vem para colocar o Brasil mais uma vez no holofote das animações.
No filme acompanhamos os amigos Vini (dublado por Rodrigo Santoro)e Tom (dublado por Marcelo Adnet), dois roedores unidos pela paixão da música, seja na arte de escrever ou de tocar. Quando a grande inundação é anunciada, os dois precisam entrar na Arca de Noé sem que sejam percebidos, já que apenas um macho e uma fêmea de cada espécie são permitidos. Com muita alegria, música e cantoria, Vini e Tom embarcam nessa aventura arriscada, mas bem acompanhados.

Apostando em cores vibrantes e traços familiares, “Arca de Noé” se destaca pela personalidade dos personagens de Sérgio Machado. O roteiro brinca com questionamentos lógicos a respeito do dilúvio, enquanto não se prende a época em que está situado para criar um humor mais atual e pertinente nos diálogos. Vini e Tom cativam e conquistam a audiência com tamanha facilidade, que é impossível não torcer pela sua sobrevivência até os minutos finais da história.
A direção de dublagem é outro ponto excelente desta animação. Ainda que todos do elenco sejam figuras brasileiras de muita fama e reconhecimento, é difícil perceber algumas vozes durante a exibição do longa. Os atores se camuflam atrás de seus personagens, se adaptam e brilham, e o ego de ser reconhecido pela sua voz não toma espaço, como vimos acontecer em Enrolados, por exemplo.

Usando dos animais para criar uma metáfora sobre união diante de um líder injusto, “Arca de Noé” não cria uma animação bobinha mesmo que sua audiência se torne majoritariamente infantil. O conteúdo da história é rico em lições que não se restringem a essa faixa etária.
A verdade é que “Arca de Noé” vem para preencher a lacuna que o cenário brasileiro de animação deixou desde Rio (que, bem, é só dirigido por um brasileiro…mas de uma produtora internacional). O cuidado com a direção de animação, dublagem e da trama como um todo, cresce aos olhos e cria o sentimento de orgulho nacional quando os créditos finais sobem.
Nota: 4/5








