Responsável por WandaVision, Jac Schaeffer retornou para a Marvel para escrever e produzir o spin-off Agatha Desde Sempre, protagonizada pela antagonista da série anterior. Aqui, Agatha (Kathryn Hahn) reúne um coven de bruxas e seguem para desbravar o caminho das bruxas em busca dos seus maiores desejos. Junto delas segue também um jovem misterioso (Joe Locke).
O primeiro episódio da série pega emprestado o conceito de WandaVision e inicia com Agatha presa em um mundo que emula uma série policial em que ela é a detetive. Essa ilusão é rapidamente rompida com a entrada dos personagens de Aubrey Plaza e de Joe Locke na trama (que são os dois grandes mistérios de identidade).
Com um tempo razoável de episódio (média de 30 minutos) e 9 episódios, Agatha Desde Sempre soube dosar bem a trama, tornando-a envolvente, dinâmica e também surpreendente, fugindo da lógica que tinha sido estabelecida nas séries anteriores da Marvel. Podemos dizer que essa é uma das razões para Agatha Desde Sempre ter dado certo, ela teve liberdade para arriscar, para além da inclusão de personagens (e até beijos) LGBTQIAPN+, a série pode também mudar a dinâmica, mas sem sair da identidade Marvel.

O carisma de Kathryn Hahn e o sucesso da personagem fez com que Agatha andasse na linha tênue entre a vilania e o anti-heroísmo. A personagem ainda está longe de ficar do lado dos mocinhos, mas sua moralidade foi amenizada para que a protagonista se reerguesse e pudesse estar no mesmo patamar de outros vilões carismáticos da casa das ideias, como Loki.
O formato da série de “missão do dia” dentro do caminho das bruxas funcionou muito bem, dando o espaço necessário para que cada personagem se desenvolvesse e fizesse as revelações nos momentos necessários. Para aqueles já leitores de HQs e conhecedores do universo, não foi surpresa nenhuma ao descobrir que o jovem misterioso é o Wiccano, filho de Wanda. Talvez a surpresa maior foi a verdadeira identidade da personagem Rio, interpretada por Aubrey Plaza, que expande ainda mais esse universo místico na Marvel e abre portas para novas histórias.

As outras bruxas do coven de Agatha também nos conquistam ao longo da narrativa. Patti LuPone, como sempre, entrega uma aula de atuação, principalmente no episódio 7, que é focado em sua personagem. Alice (Ali Ahn) foi uma das personagens que sentimos o potencial desperdiçado, podendo ser muito mais do que foi mostrada, mas seja por falta de tempo ou de interesse, não chegou a tanto. E Jennifer Kale (Sasheer Zamata) que é a que mais deixou espaço aberto para retornar e ser mais desenvolvida em uma futura produção.
Se Agatha Desde Sempre é uma série de redenção moral para a protagonista, encerrando uma fase de sua jornada (mas não a jornada em si). O show é a apresentação de uma das grandes apostas da Marvel para essa nova fase, a introdução de um dos personagens mais poderosos do universo Marvel, que nos deixa curioso para o que virá depois daí.
Agatha Desde Sempre também traz uma esperança de renovação dentro das produções da Marvel. Mesmo com o sucesso de bilheteria de Deadpool e Wolverine, a verdade é que as últimas produções do MCU deixaram a desejar em qualidade e em audiência. Sair da fórmula criada para manter uma falsa coesão entre as séries é o primeiro passo de uma fase que pode reerguer a casa das ideias moralmente. Porém, se isso for ignorado pode ser apenas uma chama de esperança que se apagará e dará continuidade a decadência das produções de super-heróis.
NOTA: 4/5








