O que é ser um herói? De acordo com a definição da palavra no dicionário Michaelis seria o “personagem principal de uma obra de ficção” ou um “indivíduo que se distingue por seus feitos“. Neste sentido, Christopher Reeve leva o “ser um herói” para fora das tela de cinema e veste o manto vermelho no ponto mais desafiador de sua vida. O novo documentário da DC Studios, “Super/Man: A História de Christopher Reeve“, vem para celebrar a vida do ator em uma bela homenagem que, ao mesmo tempo que conserva sua imagem como herói, o humaniza.
Com a direção de Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, o documentário explora a ascensão meteórica de Christopher Reeve ao estrelato com sua interpretação icônica de Superman e como sua vida se transformou após um acidente que o deixou tetraplégico.

Com 1 hora e 44 minutos de duração, “Super/Man: A História de Christopher Reeve” cria o storytelling entre ficção e realidade, realiza o paralelo comparativo entre a vida do ator como o herói da DC e como a sua vida pessoal pode ser entrelaçada ao seu personagem. Entre bastidores de sua vida como ator, entrevistas com os filhos de Reeve e depoimentos de grandes amigos como Susan Sarandon e Glenn Close, o documentário traz relatos emocionantes a respeito de sua perseverança diante da tragédia que assolou sua vida, seu relacionamento inspirador com Dana Reeve e sua amizade inesquecível com Robin Williams.
Optando por não seguir uma linha temporal convencional, de contar a história de forma cronológica, o documentário faz com que os eventos do passado sejam retratados como parte da memória e processo de reabilitação de Reeve pós acidente. Assim, dilemas morais da sua vida pessoal são colocados em modo comparativo com a suas atitudes do passado e presente, bem como o rumo da sua carreira profissional, suas conquistas e suas frustrações.

Um dos maiores acertos do documentário é a forma como contam a história do segundo relacionamento de Reeve. Se passamos o documentário inteiro enaltecendo e relembrando como o ator conseguiu ser herói de todas as formas imagináveis, o roteiro nos faz perceber que nada seria possível sem Dana. Os relatos de amigos e familiares, bem como registros visuais da época, reconhecem o seu valor e a eternizam através dessa obra que não será apagada pelo tempo.
O mais interessante que “Super/Man: A História de Christopher Reeve” pode trazer foi a forma como abordou algumas polêmicas e erros públicos do ator. Sem se tornar algo difamatório ou conivente, a produção opta por trazer os filhos e ex-companheira comentando do seu ponto de vista diante da convivência familiar e abandono parental (e como isso mudou após acidente), as polêmicas de seu posicionamento para “achar uma cura” e até mesmo sua fama de “garanhão” durante seu auge profissional. Isso corrobora para a retirada do símbolo de perfeição que Superman traz, sem invalidar sua relevância e importância.

Apesar de não trazer muito material inédito a composição do documentário preserva a imagem heroica de Reeve, ao mesmo tempo em que o humaniza. Exibindo suas vulnerabilidades, seus receios e seus erros, a obra entende que apesar de tudo os seus frutos após sua morte e os relacionamentos que criou em vida são o que definem a sua vida. Finalizar exibindo os três filhos dando continuidade ao sonho do pai é uma forma de mostrar que Reeve foi maior do que ele imaginava ser, para além de Superman, Christopher Reeve foi um homem inspirador capaz de usar sua imagem como porta voz de uma causa humanitária que até hoje impacta as pessoas.
“Super/Man: A História de Christopher Reeve” é um documentário essencial para quem não acompanhou a trajetória do ator em vida e um acalento para os fãs saudosos que passaram por todas as turbulências. Inspirador, emocionante e fascinante, essa obra serve como uma excelente bandeira de “boas-vindas” para uma nova DC que promete revitalizar sua imagem como um símbolo de esperança e relevância.
O filme chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 17 de outubro.
Nota: 5/5