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CRÍTICA | “O Aprendiz” utiliza do humor para contar a história de ascensão de Trump

Uma das figuras mais emblemáticas e polêmicas carrega consigo uma trajetória de popularidade tão emblemática e polêmica quanto suas ambições e discursos. Chega aos cinemas nesta quinta-feira (17) o novo filme de Ali Abbasi, “O Aprendiz“, que promete contar a construção cômica do mafioso sem personalidade Donald Trump.

 A trama segue um jovem Trump (Sebastian Stan) na cidade de Nova Iorque entre os anos 70 e 80, tentando erguer um novo império de negócios imobiliários, além de sua relação com o advogado Roy Cohn (Jeremy Strong). Entre elos de poder, amizades e o sentimento de mentor-protegido, o filme narra a história das origens de uma importante dinastia americana.

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 A história do “menino de ouro” de Nova York, que saiu de um negócio que estava prestes a falir no Queens, é regada de misoginia, racismo, fraudes e estelionatos. O universo construído por Abbasi é predominante masculino, sufocante e intimidador. Apesar de começar com um Donald tímido e até infantilizado com o deslumbre que tem pela vida que almeja conquistar, tudo ao seu redor emana a energia de predador – que ele absorve enquanto a história progride.

O ponto central da trama é definitivamente a relação entre Donald e Roy. Moldada como um relacionamento entre mestre e aluno, Roy é a pessoa que engole Donald com sua personalidade expansiva e sua moral quase inexistente. E, por mais óbvio que isso pode parecer, é daqui que surge o titulo do filme “O Aprendiz“, que reduz Donald Trump a uma cópia circense de seu mentor.

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Provocando o espectador com filmagens que alternam entre o método clássico, quando acompanha personagens mais sóbrios da trama, e emulando um falso documentário, quando foco é a vida pessoal de Trump, assim “O Aprendiz” cria uma dinâmica interativa com a audiência que sente que está assistindo os bastidores do crescimento de Nova York como cidade e o seu declínio moral como sociedade. Ademais, leva a audiência entender como funciona a criação de um idiota, um bilionário que não presa por nada na vida além dele próprio, ao priorizar seus implantes capilares, cirurgias plásticas, pílulas de emagrecimento, enquanto utiliza a mídia para atacar e promover discursos sentimentais contra qualquer figura que surge em seu caminho.

Apesar da transição da fama e do poder ter sido um tanto simplória, Sebastian Stan compensa as lacunas da montagem e da direção com a progressão de sua performance. Utilizando trejeitos e manias características do empresário que interpreta, Stan cresce gradativamente dentro do seu personagem, do horror ao drama, o ator transita pela história de Trump com o talento necessário para também alternar entre drama e humor de forma natural e orgânica.

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Ainda assim, vale mencionar que a estrela desta obra é definitivamente Jeremy Strong. O ator tem a missão difícil de suceder Al Pacino que interpretou Roy Cohn na série Angels in America e atinge os padrões com louvor. Imponente, intimidador e, ao fim, o declínio humilhante, Strong carrega a brutalidade e imoralidade de seu personagem, ao tempo que traz a hipocrisia de um homem que negava viver sua verdade e utilizava isso para atacar a sua vergonha.

Tomando a liberdade para preencher as lacunas da realidade, “O Aprendiz” sabe utilizar eventos reais e mundialmente conhecidos para exibir a dinâmica de poder entre magnatas imorais, a trajetória montanha-russa em que o mais influente socialmente detém para si o ponto mais alto da hierarquia de poder e o papel da mídia para fomentar tais figuras, que apesar de não ser muito explorada no filme deixa claro seu papel na popularidade de Trump.

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