Home / Equipe / Ludmilla / CRÍTICA | “Coringa: Delírio a Dois” se reinventa, mas não atinge seu potencial máximo

CRÍTICA | “Coringa: Delírio a Dois” se reinventa, mas não atinge seu potencial máximo

Este texto está livre de spoilers

5 anos após a estreia de Joaquim Phoenix no papel de Coringa, Todd Phillips volta para dirigir a sequência que ganha Lady Gaga no papel de coadjuvante de um musical que permeia entre a realidade e a fantasia.

Nesta continuação, Arthur Fleck (Phoenix) está institucionalizado em Arkham à espera do julgamento por seus crimes como Coringa. Enquanto luta com sua dupla identidade, Arthur não apenas se depara com o amor verdadeiro, como encontra a música que sempre esteve dentro dele.

Joker: Folie À Deux Trailer Unveils Joaquin Phoenix's Singing Voice As  Arthur Fleck

Se no primeiro filme Todd Phillips decidiu homenagear Martin Scorsese com referências ao O Rei Da Comédia, no segundo filme o cineasta explora os clássicos musicais para construir os efeitos da obsessão fantasiosa pelo estrelado de seu protagonista. Com nomes como Frank Sinatra, Dean Martin, Angie Dickinson e Sammy Davis Jr, “Coringa: Delírio a Dois” remodela os clássicos na linguagem sanguinária do vilão, para que assim entrássemos mais uma vez em sua mente conturbada.

A ideia de transformar este filme em um musical vem sido alimentada desde do longa de 2019. Exibindo cenas musicais pontuais no anterior, não surpreende quanto a musicalidade se expande no momento mais humilhante da vida do protagonista, servindo como um escape. Utilizando a música como uma fuga da realidade, Coringa encontra aquela que irá motivá-lo a emergir da escuridão, ao tempo em que lhe dá uma esperança involuntária.

Coringa: Delírio a Dois” é um filme com uma identidade visual muito clara e bem definida. Em momentos de fantasia, o lúdico entra como protagonista, apostando em cores vibrantes e cenários nostálgicos. Enquanto isso o mundo real é tomado por cores sóbrias, trilha musical dramática (que até faz lembrar de The Batman de Matt Reeves) que conduz a imersão do espectador em uma jornada entre os dois universos.

New Photos For JOKER: FOLIE Á DEUX Offers New Look at Arthur Fleck and  Harley Quinn — GeekTyrant

Não é surpresa alguma que Joaquim Phoenix é exímio em sua performance. Entregando um homem maltratado emocionalmente e fisicamente, o ator consegue exprimir tudo que há de melhor e pior em seu personagem. Não me surpreenderia se ele recebesse mais uma indicação ao Oscar por Coringa. Sua doação corporal e o modo em que conduz as nuances das dores, distúrbios e o lado lado sádico do protagonista, elevam a qualidade da obra que peca em determinados momentos.

Por outro lado, Lady Gaga é apenas uma grande promessa. E acaba nisso. Mesmo entregando vocais impecáveis, que transformam “Coringa: Delírio a Dois” em uma coletânea de cenas-clássicas de forma instantânea, sua personagem é jogada a esmo. Quando é introduzida na vida de Arthur, Lee ou Harleen Quinzel (Gaga) é uma incógnita sedutora. Quando evolui para o questionamento da sua real motivação com o protagonista, guarda a promessa de ser uma personagem imbatível. Contudo, quando chega ao fim, o roteiro de Todd Phillips e Scott Silver, decide esquecer tudo que foi construído nas duas horas anteriores e a transformam em algo esquecível e descartável.

New Photo From JOKER: FOLIE À DEUX of Joaquin Phoenix Enjoying The Rain —  GeekTyrant

A escolha de focar no julgamento de Arthur/Coringa – dos crimes cometidos no primeiro filme – bem como seu dia a dia no Asilo Arkham, traz um novo debate para o universo: afinal, Arthur é uma vítima de Coringa? “Coringa: Delírio a Dois” inicia com um curta metragem animado que dá uma pista do grande pilar narrativa desta obra. Coringa sendo perseguido pela sua própria sombra, aquela culpada pelos atos cruéis e depravados, enquanto ele leva a culpa de tudo no fim.

Coringa transforma seu julgamento em seu palco, expurga seus demônios, revive seus pesadelos e, por fim, busca por redenção. Entre altos e baixos, “Coringa: Delírio a Dois” é um filme eficiente como um produto final, sabe utilizar bem as referências cinematográficas em que se propõe a abordar e cria um muro claro para a audiência entre realidade e fantasia através da música.

O filme estreia no Brasil no dia 3 de outubro nos cinemas de todo o país.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *