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CRÍTICA | “O Dia que Te Conheci”

Histórias intimistas que trazem o decorrer de apenas um dia repleto de casualidades que podem (ou não) mudar a vida dos protagonistas é um arco muito conhecido e amado no cinema, filmes como Antes do Amanhecer (1995) se eternizam pela simplicidade de uma troca genuína entre duas pessoas que escapam por um dia do seu cotidiano. E, bem, é isso que acontece em “O Dia que Te Conheci“, longa nacional dirigido por André Novais Oliveira e protagonizado por  Renato Novaes e Grace Passô.

No filme acompanhamos a história de Zeca (Novaes) que tenta levantar cedinho para pegar o ônibus e chegar, uma hora e meia depois, na escola da cidade vizinha, onde trabalha como bibliotecário. Acordar cedo anda cada vez mais difícil. Há algo que o impede de manter esse cotidiano. Até que um dia Zeca conhece Luísa (Passô).

O Dia que Te Conheci - Festival do Rio

Com uma estrutura narrativa simples e recheada de diálogos que crescem em intimidade, “O Dia que Te Conheci” foca em criar conexão através das dores mascaradas pelo cotidiano atribulado, por consequência, isso faz com que a identificação com o público seja inevitável. Entre conversas sobre remédios controlados ou o medo palpável da morte, Zeca e Luísa mergulham em uma série de conversas que somente a coincidência do destino poderia proporcionar.

Apostando em locações em que os dois sempre ficam muito próximos um do outro, como o carro de Luísa ou o apartamento de Zeca, “O Dia que Te Conheci” expõe todo desconforto de um primeiro encontro e a excitação que o mesmo evento oferece. A intimidade emocional abre portas para a física, que leva os protagonistas a se sentirem confortáveis em exibir suas versões mais vulneráveis.

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Talvez o único erro de “O Dia que Te Conheci” seja seu som. Tanto a edição de som da obra, quanto a escolha da trilha musical, atrapalha a imersão que o filme tenta proporcionar. A sequência prologada de certas cenas, que evocam a singularidade e simplicidade do cotidiano, quando repetidas em excesso nos leva a crer que apenas estão servindo para preencher tempo de duração do filme que o diretor julgava necessário ter.

Ainda assim, é inevitável assumir que “O Dia que Te Conheci” é o novo tesouro nacional. Exalando química na evolução de suas interações, Renato Novaes e Grace Passô são tão naturais e envolventes que fazem a sua troca parecer fácil e orgânica. A eventualidade dos acontecimentos, que fazem os dois fugirem do cotidiano, também é elevado a uma reflexão emocional sobre destino e infinitas possibilidades do acaso.

O filme estreia nos cinemas em 26 de setembro.

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