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CRÍTICA | Qualquer um poderia ser um “Zé”

No período da ditadura brasileira, Zé, um dos líderes do movimento estudantil e dirigente da Ação Popular Marxista-Leninista enfrenta uma vida de privações, fugas e poucos recursos. Ele é um jovem idealista repleto de sonhos que precisa continuar sua luta na clandestinidade.

Dirigido por Rafael Conde, “” traz o lado clandestino da luta contra a ditadura. O filme traz jovens que saem de casa, mudam de nome, de vida, para baterem de frente contra o governo militar que assolou o país. Diferente de diversos filmes que já trataram do período, “Zé” não traz cenas de confrontos diretos, de assassinatos e torturas Porém, a violência que o autor denuncia é tão visceral quanto, mostrando a escassez e dificuldades destes jovens.

A escolha do nome do filme, que é baseado em uma história real, foi certeira. “”, para além do protagonista, poderia ser, e foi, a história de diversos jovens que, até hoje, têm seus rostos desconhecidos, mas trabalharam na base para combater a ditadura militar. E além das perseguições políticas, sofreram bastante com a má qualidade de vida que os brasileiros fora da burguesia tinham na época.

“Zé” pode ser um filme difícil de ser digerido de início, não pelo tema pesado, mas por sua linguagem que em alguns momentos foge do clássico (como por exemplo as ótimas cenas em que as cartas de “Zé” são recitadas para o espectador), ou por seus longos saltos temporais (que acabamos nos acostumando ao decorrer da trama). Porém, ao se acostumar com a linguagem e a cadência da narrativa, Zé se torna uma história envolvente, que prende a atenção até o fim.

Caio Horowicz entrega uma ótima performance como Zé, que apesar de ser um personagem nobre, está longe de ser perfeito e o ator transita bem em todas as emoções que o protagonista pede. Ao seu lado temos Eduarda Fernandes, que interpreta a companheira Beth, sendo talvez o rosto menos conhecido do núcleo principal, Eduarda demonstrou em “Zé” todo o seu potencial. Também tem o seu destaque em tela Samantha Jones, que recentemente se destacou na novela Renascer no papel de Zinha.

” não é um filme que traz reflexões sobre a ditadura a partir do choque, mas a partir da reflexão sobre a luta contra o regime, e também as formas de lutar. Apesar de Rafael Conde estar trabalhando no roteiro desde o ano 2000, o filme se encaixa perfeitamente no cenário atual brasileiro, refrescando a dor e a perseguição que a ditadura militar causou enquanto diversos cidadãos protestam querendo o retorno dela.

O filme estreia hoje (29) nos cinemas de todo o Brasil.

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