Há 2 anos chegava à Netflix a adaptação de um dos maiores sucessos literários da carreira de Bruna Vieira, “De Volta aos 15”. Estrelado por Maisa Silva e Camila Queiroz, a série desenvolveu em 3 temporadas uma história que valoriza amizade, reconciliação com o passado e reconhece que há beleza no futuro incerto e desconhecido.
Nesta temporada final acompanhamos a Anita voltar aos seus 18 anos contra a sua vontade. Vivendo o ano de caloura na faculdade de artes, a protagonista descobre que está conectada a outro viajante do tempo, por isso recebe vislumbres do futuro enquanto revive seu passado. Enquanto isso, ela deve lidar com o conhecimento de um futuro trágico e o seu amadurecimento pessoal.

Apesar de ter apenas 6 episódios, a temporada final é coesa e coerente para encerrar a sua história. Mesmo que não haja um livro para adaptar, a equipe de roteiristas comandada por Vitor Brandt entendeu a identidade e essência de “De Volta aos 15” e conseguiu manter o nível de qualidade narrativa apresentada anteriormente, ao mesmo tempo em que evoluíam os personagens e encaminha a trama principal para sua conclusão.
Uma das maiores provas disso é Fabrício, vivido por João Guilherme, que encontra sua redenção nessa reta final após ser introduzido como um bad boy sem futuro promissor na primeira temporada (fora que foi maneiraço ver o fanservice de assisti-lo cantando um dos singles de seu pai “Um Sonhador). Bem como, Camilia, vivida por Nila, que encontra seu rumo na arte literária e enfrenta de forma imponente as suas inseguranças. O mesmo não pode ser dito de Carol, interpretada por Klara Castanho, a personagem desperdiça o potencial gigantesco da atriz e replica o mesmo plot narrativo que vimos em duas temporadas, os conflitos que sempre envolvem seus interesses amorosos.

Como nas temporadas anteriores, a reta final é recheada de referências a época que é situada: 2009. Desde Crepúsculo a músicas do Nx Zero e menções visuais a Restart, quem viveu essa época é tomado pela nostalgia que rodeia a história. A única coisa que deixa a desejar é o figurino e a caracterização dos personagens que se perde em alguns momentos no espaço-temporal. Ainda assim, traz uma baita nostalgia ver as meninas no carro cantando a trilha de As Branquelas, cantada por Vanessa Carlton, A Thousand Miles.
Novos nomes integram esta temporada, mas o que mais chama atenção é definitivamente Larissa Manoela que vive a antagonista da trama na forma mais jovem de Filipa (e Juliana Paiva vivendo a sua versão futura). Chegando como não quer nada, a atriz vai conquistando seu espacinho dentro do grupo dos amigos de longa data e também captando a atenção do espectador que tenta prever o que ela guarda de tão misterioso. O seu auge é no episódio que referencia o filme Feitiço do Tempo de 1993. Vivendo um looping exaustivo, que provoca os sentidos mais intensos de Anita e Filipa, até chegar ao conflito iminente. É nesse momento que Maisa mostra que ainda está longe de chegar no seu melhor como atriz, toda sua performance dramática é caricata quando vemos a transformação de Larissa Manoela, exímia em performar a sua arte, a atriz faz daqueles poucos minutos o seu estrelato.

“De Volta aos 15” encerra sua história no auge, entregando tudo o que os fãs queriam (menos se você for team Joel) e tornando-se ao fim, uma obra de três partes que exalta tudo que fez parte da cultura pop dos adolescentes brasileiros dos anos 2000 ao tempo que a eterniza para as próximas gerações observarem tempos mais simples pré-tik tok e instagram.
Nota: 3,5/5