Zoë Kravitz está fazendo sua estreia como diretora de um longa-metragem com o filme “Pisque Duas Vezes”. No suspense conhecemos Frida (Naomi Ackie), uma garçonete que concorda em passar as férias na ilha particular do bilionário Slater King (Channing Tatum). Mas o que parecia ser a viagem perfeita se torna uma experiência angustiante quando Jess (Alia Shawkat), a melhor amiga de Frida, desaparece.
Algumas coisas chamam a atenção em “Pisque duas vezes”, seja a estreia de Zoë Kravitz, ou até o protagonismo de Channing Tatum em um filme de suspense. O roteiro, escrito por Kravitz em parceria com E.T. Feigenbaum não apresenta grandes inovações, trazem polts comuns para o gênero, porém ganham a nossa atenção por conseguirem construir de uma forma bem decente. O grande acerto do filme, além do plot twist, é a sua temática e a forma como traz esse debate.
Zoë não deixa a desejar na sua direção. Ela consegue imprimir na tela toda a sua experiência com o cinema e constrói um universo coeso e personagens palpáveis. Durante a 1 hora e 40 minutos de filme a direção não te tira dele por alguma discrepância ou erro. Bem verdade, também, que ela tem o suporte de um super elenco que entrega tudo em tela.

Estamos acostumados a assistir Channing Tatum em filmes mais cômicos, fugindo pouquíssimas vezes de papéis mais caricatos, e por isso mesmo que ele casou tão bem com o Slater King. Tatum traz todo o seu exagero e extravagância para um personagem que pede exatamente isso, que juntando com a sua beleza, nos faz ficar encantados pelo personagem junto com os outros personagens do filme.
Entre esses personagens temos Frida. Mesmo não tendo um currículo tão extenso, Naomi Ackie não tem medo do protagonismo e nos entrega uma personagem complexa em seus medos, desejos e alegrias. O espectador é levado a sentir as emoções junto da personagem, desde a alegria, a desconfiança, a tensão e até o medo. Naomi nos mostra que é um nome que pode ter muito mais espaço em Hollywood.
Apesar do elenco de apoio recheadíssimo, quem também rouba a cena é Adria Arjona. Passando quase despercebida no primeiro ato, no segundo ato a sua personagem cresce e é na reta final que temos a explosão da Sarah como uma personagem forte e impactante na trama.
Pisque duas vezes aposta no simples, mas o simples que dá certo. O filme não inventa a roda, mas te prende do início ao fim com os seus mistérios e dramas. Surfa na onda do plot twist de muitos filmes thriller dessa década, mas passa longe de se tornar clichê, principalmente por trazer uma temática importante, abrir o debate e desenvolver ela de uma forma tão inesperada, fechando com um final que com certeza será controverso. O que nos fica também é uma curiosidade para os próximos trabalhos de Zoë Kravitz na direção, que se continuar evoluindo, terá boas obras pela frente.
NOTA: 4/5