Trinta anos depois que Brandon Lee se eternizou no cinema vivendo o Eric Draven, O Corvo ganha uma nova versão estrelada por Bill Skarsgård e FKA twigs dirigida por Rupert Sanders. Se afastando cada vez mais das comparações com a produção antecessora, a nova geração do corvo parece ter sido feito com uns anos de atraso, dando a sensação de que tivesse sido lançada em 2010 conquistaria mais o público alvo do longa.
Em “O Corvo” acompanhamos a história de amor de Eric Draven (Bill Skarsgård) e Shelly Webster (FKA twigs) que são almas gêmeas conectadas por um passado sombrio. Após o brutal assassinato do casal, é concedido a Eric uma chance de salvar seu verdadeiro amor. Ele, então, embarca em uma jornada implacável por vingança, atravessando os limites entre o mundo dos vivos e dos mortos para corrigir erros e fazer justiça com as próprias mãos.

Adaptando as clássicas histórias em quadrinhos criadas por James O’barr, “O Corvo” abraça a estética gótica tanto na construção visual da obra como um todo como dos personagens principais. Skarsgård transiciona bem entre as camadas dramáticas do seu personagem até abraçar a fantasia pro completo. Enquanto isso, o longa marca a estreia da cantora e produtora musical FKA twigs nos cinemas como atriz, não trazendo nada de muito positivo para sua performance, twigs parece desconfortável a todo o momento e não consegue fazer a química que compartilha com seu colega de elenco vingar na trama.
A verdade é que esse filme carrega consigo uma estética similar a de 2010, época em que o mundo era dominado pelas tendências melodramáticas do Tumblr e estava se preparando para a ascenção do romance doentio de Violet e Tate em American Horror Story. Com isso em mente, fica fácil entender a dinâmica da trama e, principalmente, como ela se desenrola em tela. Apostando em um romance apressado e mal desenvolvido, a intensidade do imediatismo do romance movido por drogas e violência, criando um vínculo de que “nem a morte os separaria” para ao fim dar a motivação necessária para o surgimento do Corvo.

Uma coisa indiscutível é o desempenho de Skarsgård. O ator se doa e entrega a melhor versão de si mesmo nessa produção, e como fez em Contra o Mundo, se doa tanto fisicamente quanto dramaticamente. Uma das cenas que causa mais euforia no público acontece no ato final, quando a produção utiliza de uma ferramenta muito conhecida em filmes de ação: um homem contra o mundo. Hilário, sangrento e surpreendente, o final abraça o inesperado e consegue resgatar a atenção do espectador que já havia se perdido com a narrativa monótona e linear da obra.
O Corvo não é de todo ruim como a internet esperava, porém ele não surpreendente tanto assim positivamente também. Certamente entrará no rol de filmes esquecíveis lançados neste ano (e da carreira de Bill). Bem, pelo menos ele consegue entregar bons combates físicos e uma trilha sonora com nomes de peso como Enya, Post Malone, Ozzy Osbourne e Travis Scott – que adicionam ao roteiro uma pitada de humor ao dialogar diretamente com as cenas exibidas em tela.
Nota: 2/5