Unindo uma protagonista azarada, signos, magia e o amor juvenil, Larissa Manoela volta as telonas do cinema em “Tá Escrito“, novo longa nacional dirigido por Matheus Souza, (“Apenas o Fim” e “A Última Festa”). A comédia romântica é a cara da geração z, mas com uma toque milleanial na entrega do elenco. Apesar de garantir bons momentos de entretenimento, a produção peca em sua conclusão, esquecendo arcos abordados e se apressando para um encerramento clichê.
O filme acompanha Alice (Larissa Manoela), uma jovem leonina bastante insegura que não gosta dos holofotes. Ela mora com a mãe (Karine Teles), virginiana obcecada por organização, e com o irmão (Kevin Vechiatto), que faz de tudo para atazanar sua vida. Seu sonho é conquistar o primeiro emprego e ir morar com o namorado (André Luiz Frambach). Mas seus planos vão por água abaixo quando ele termina o relacionamento para se dedicar à carreira.

A proposta central do filme é o que chama atenção à princípio. O humor já surge quando é apresentado a personalidade da protagonista que brinca com a sua incompatibilidade com seu signo e com a compatibilidade excessiva dos demais ao seu redor. A produção faz piada dos estereótipos, usa o senso comum que temos a respeito deste assunto ao seu favor e faz disso a sua maior aliada. O tom cômico do longa é muito bem colocado em sua maior parte, todavia é prejudicado pela edição de som que deixa os momentos à esmo e prefere focar em músicas eletrônicas inconvenientes de forma exaustiva.
Ao observar o elenco, “Tá Escrito” não deixa a desejar. Tanto o protagonismo de Manoela, quanto a participação de Karine Teles e de Victor Lamoglia são excelentes dentro da composição geral da obra. Seja em momentos de construção de personalidade individual ou em momentos de criação de laços, o trio é o bem mais precioso, fator que faz o espectador se importar e torcer por eles.

O fator magia do filme abre um leque de possibilidades de liberdade criativa e Matheus Souza se aproveita disso. Apesar disso, o diretor permanece em sua zona de conforto e replica trabalhos anteriores neste longa. Quem conhece seu trabalho vai reconhecer sua construção narrativa em “Tá Escrito”.
Apesar de não ser inovador, “Tá Escrito” é uma boa diversão, principalmente para o público mais jovem. Com uma narrativa clichê, de construção romântica e evolução pessoal, o filme consegue unir dois públicos distintos: os millenials e a geração z, sem se tornar apelativo ou forçado. Todavia, perde oportunidades de se destacar ao perdeu o timing da comédia, a falta de personalidade na produção musical e o desleixo de certos arcos narrativos pelo roteiro, que não concluiu tramas abertas desde dos minutos iniciais.
O filme estreia no dia 07 de dezembro nos cinemas.
Nota: 3/5