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CRÍTICA | “Scott Pilgrim: A Série” é o amadurecimento de uma ideia extraordinária

Scott Pilgrim: A Série, no original Scott Pilgrim Takes Off (ou Scott Pilgrim Cai Fora em tradução livre), é a nova adaptação da HQ de Brian Lee O’Malley, que foi lançada no dia 17 de novembro 2023 na Netflix com oito episódios recheados de ação, investigação e humor. A nova aventura de Scott é uma animação produzido pelo estúdio Science Saru, responsável por Devilman Crybaby. O anime tem tanto elenco quanto produção vindas majoritariamente do filme Scott Pilgrim Contra o Mundo.

A história de Scott Pilgrim: A Série começa como todas as outras versões. Scott Pilgrim (Michael Cera) é um jovem de 23 anos que mora com um amigo, toca em uma banda de indie rock e namora uma estudante colegial de 17 anos, até o dia em que conhece a garota dos seus sonhos, Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), embarcando na jornada de lutar contra os sete ex-namorados da garota para ficar com ela.

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A base é a mesma, com um episódio inicial que parece uma versão estilizada em animação dos primeiros 30 minutos do longa de 2010. A mudança ocorre ao final do primeiro episódio que começa a contar uma história completamente diferente da vista no quadrinho e no filme. Se você gostou do filme e dos quadrinhos, a animação é uma nova versão que vale a pena ser vista. Se você não gosta do filme, acha a premissa esquisita e pensa que a história de Scott Pilgrim não é para você, talvez seja a hora de dar uma chance para a série, que mostra uma visão inusitada e uma nova perspectiva.

Na nova versão, conseguimos entender muito mais alguns dos personagens que não tiveram a chance de brilhar de verdade nem no filme nem nos quadrinhos. Os exes de Ramona Flowers tem uma presença importante e são bem diferentes do que foi mostrado anteriormente, se tornando alguns dos personagens mais divertidos da série, dentre esses os mais interessantes são Matthew Pattel (Satya Bhabha), o skatista Lucas Lee (Chris Evans), a ninja Roxie (Mae Whitman) e o vegano Todd Ingram (Brandon Ruth). Também vemos uma versão completamente diferente da colegial Knives Chau (Ellen Wong), que ganha um destaque merecido.

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A abordagem da série trás consigo uma reflexão sobre a obra original, revisitando questões que sempre foram pontos esquisitos nos quadrinhos e filme. A HQ ainda apresenta uma história alongada e que mostrar com mais calma a relação de Scott e Ramona, explorando melhor a complexidade dos personagens. O filme por sua vez peca na falta de agência e protagonismo de Ramona, principalmente por ter muita coisa para contar em menos de duas horas. A série com todas as suas diferenças consegue apresentar um meio termo divertido e uma abordagem única.

O grande ponto de Scott Pilgrim: A Série, e onde ela consegue mostrar suas qualidades, é com Ramona, explorando muito melhor suas relações, seus pensamentos e suas questões. É uma nova oportunidade para mergulhar na personagem, entender seus problemas e quais decisões e reações dela ao perceber que também faz parte dos problemas que movimentam a história. É um mergulho na personagem que não foi feito em nenhuma das outras versões e é um ponto de vista novo e importante.

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A direção artística da série é linda, criativa e consegue transpor a identidade do quadrinho de uma forma fiel e inovadora. A Science Saru acerta muito tanto nos momentos mais caóticos e animados quanto nos momentos introspectivos e emocionais. As lutas do anime também acabaram se tornando um dos pontos principais, sendo muito divertidas, extremamente bem animadas e com várias referências, coreografias impecáveis e cheias de explosões.

Algo muito importante em todas as versões de Scott Pilgrim é a trilha sonora. O’Malley tocava em uma banda quando escreveu a história, e parte do enredo e das lutas tanto dos quadrinhos quanto do filme. O filme entregou algumas músicas que até hoje são reverenciadas e vez por outra ressurgem em trends nas mídias sociais. O anime não fica abaixo no esforço e na entrega, contando com uma trilha sonora única, divertida e bem feita, fazendo referências ao filme e quadrinho de forma brilhante.

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Por último, não posso deixar de falar que a animação é cheia de referências ao filme e aos quadrinhos, não apenas fazendo um fan service barato e sem repercussões para a história, mas sim contextualizando os dois antecessores e lembrando à audiência que a existência do anime não nega o lançamento e a diversão que os outros dois proporcionam.

Scott Pilgrim: A Série talvez seja a melhor adaptação da história escrita por Brian Lee O’Malley e é um deleite para os fãs. Linda, engraçada, inteligente e com uma ideia tão original que quase consegue fugir da proposta original do quadrinista. Vale a pena para quem gosta do quadrinho, para quem é fã do filme e até para quem nunca gostou da ideia dos dois. Os oito episódios do anime podem ser acessados na Netflix.

Nota: 5/5

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