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CRÍTICA | “A Noite das Bruxas” surpreende ao trazer uma investigação sobrenatural no Halloween

Baseado no livro “A Noite das Bruxas” de Agatha Christie, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14) o terceiro filme das investigações de Hercule Poirot, vivido por Kenneth Branagh nas telonas. O protagonista retorna também para dirigir uma obra que destaca dentre seus três lançamentos, seja pelo tom mais sombrio do Halloween ou pelo místico do sobrenatural.

No filme observamos o detetive mais famoso do mundo tentar usufruir de sua aposentadoria em Veneza. No entanto, ele é retirado do seu sossego após sua grande amiga e autora de best seller Ariadne Oliver (Tina Fey) o instigar com um novo mistério: uma mulher que diz poder falar com o além. Sem intenção de voltar a sua antiga profissão, ele decide participar de uma sessão espírita em um palácio abandonado no dia das bruxas. Durante a sessão, alguém comete um assassinato e, mais uma vez, Poirot é levado para uma rede de mistério e segredos.

A Haunting in Venice Movie Reveals New Trailer and Poster - VitalThrills.com

Quase 50 anos após sua morte, a rainha dos mistérios continua a cativar o público com suas histórias instigantes e recheadas de personagens tão curiosamente interessantes. Agora, criando seu próprio multiverso nos cinemas, com Assassinato no Expresso do Oriente (2017), Morte no Nilo (2022) e agora A Noite das Bruxas (2023), suas adaptações parecem ter sido moldadas para atingir uma nova audiência de forma eficiente (com exceção, obviamente, do segundo filme dessa trilogia).

Apostando novamente em um grande elenco, a atuação não é um problema nesta produção. Contando com grandes nomes como Tina Fey, Jamie Dornan, Michelle Yeoh, Kelly Reilly e o retorno, é claro, de Kenneth Branagh, o longa é recheado de grandes monólogos, confrontos intensos e momentos dramáticos que colocam à prova toda desenvoltura dos atores envolvidos. Todavia, uma coisa é certa, é escasso a quantidade de personagens realmente interessantes no filme. Contando apenas com três que despertam realmente uma curiosidade, sejam eles o médico, a médium e a mãe, talvez esse seja o filme mais precário entre os demais nesse sentido.

A Haunting in Venice teaser: Kenneth Branagh can't hide from ghosts | EW.com

Ao observamos aspectos mais técnicos, há de ressaltar que esse é o filme mais bonito visualmente. Isso se dá graças ao retorno do diretor de fotografia Haris Zambarloukos, que transformou a clássica Veneza em algo aterrorizante que se tornasse condizente com o tom da primeira missão sobrenatural de Poirot nos cinemas, sem cair no erro de se tornar escuro demais. A composição dos cenários internos, bem como os figurinos, contribuem positivamente para que a imersão nesta data comemorativa seja feita com mais facilidade. 

A construção narrativa, moldada a partir do roteiro de Michael Green, se distancia do material de origem de Agatha Christie e utiliza apenas os nomes e as características principais que envolvem a história e os personagens para criar uma trama mais original. Em outros casos eu apontaria isso como o maior defeito de uma adaptação, todavia, urge a necessidade de assumir que talvez esse seja o maior acerto da trama… evoluir e aprimorar um livro tão monótono e simplório como A Noite das Bruxas. O filme acerta o tom das motivações que envolvem os personagens, o mantém interessante ao observador a todo instante e ainda incrementa com o inesperado thriller que envolve a investigação.

Haunting in Venice' Has a Star-Studded Cast & Looks to Be the Scariest  Hercule Poirot Mystery Yet – Watch the Trailer! | Ali Khan, camille cottin,  Emma Laird, Jamie Dornan, Jude Hill,

Apesar de não carregar consigo uma gama de personagens que provoquem a imaginação do espectador, toda jornada de Poirot é instigante e surpreendentemente inesperada. Confrontando o sobrenatural, o detetive é forçado a procurar a lógica no ilógico e brinca com a sanidade da audiência que não sabe mais o que é verdade ou não. 

Com mortes cinematográficas e teatrais, A Noite das Bruxas traz a essência natural e pura do feriado que lhe dá o nome. Através de mitos e lendas sobrenaturais, este novo mistério impulsiona o detetive a sair da sua zona de conforto, ao tempo em que deixa o espectador ávido por mais ao fim. Afinal, existem ou não fantasmas? Bem, isso, nem Poirot foi capaz de responder ao fim. Quem sabe os fantasmas não são apenas os remorsos e anseios enclausurados por nós mesmos que nos assombram até os nossos últimos dias? 

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