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CRÍTICA | “Sem Ar” foge do óbvio mas tem conclusão incompatível com seu desenvolvimento

O novo longa de suspense de sobrevivente da Paris Filmes chegou ontem (14) nos cinemas, trazendo uma história que vai deixar você sem fôlego! “Sem Ar“, de Maximilian Erlenwein, ainda une o drama de duas irmãs em reconciliação para construir uma trama mais envolvente, intimista mas… que deixa um gostinho de que faltou algo ao fim.

Sem Ar” acompanha uma experiência claustrofóbica em um dia na vida de duas irmãs, que decidem fazer mergulho – uma prática comum para ambas – em um lugar remoto. Todavia, uma delas fica presa em uma rocha e, sem poder se mover, fica totalmente dependente. A jovem terá que lutar por sua vida enquanto lida com um nível perigosamente baixo de oxigênio e baixa temperatura.*

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Com apenas 1 hora e 30 minutos de duração, o filme não faz rodeios nem poupa esforços para inserir as duas protagonistas em um dos maiores desafios de sua vida. Direto ao ponto, o roteiro apresenta tudo que é necessário para entendermos o contexto da situação em que as duas irmãs estão inseridas, seu conflito velado, seus tramas familiares e cicatrizes de um passado não tão distante. Todavia, o filme peca ao longo de seu desenvolvimento quando exagera na repetição de cenas para preencher tempo de tela. O que faz com que aja uma quebra da fluidez da narrativa e deixa o espectador inquieto.

A direção de fotografia de Frank Griebe é essencial para este filme dar certo, visto que toda sua visão da imensidão azul deve contribuir para o sentimento de enclausuramento e sem perspectiva de saída. Felizmente, o diretor não cai nas armadilhas de deixar sua obra escura demais e proporciona cenas visualmente belíssimas. Isso quase se estende para a trilha sonora de Volker Bertelmann, todavia o compositor perde oportunidades vitais para gerar uma expectativa e apenas cresce em momentos óbvios ao espectador.

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Em produções similares o foco acaba sendo na vítima que luta pela sua vida e se mantém alerta até seu resgate. No entanto, em “Sem Ar”  a conexão e o vínculo entre as irmãs proporciona a nós uma trajetória feroz e cheia de garra. Por mais irônico que pode parecer é muito mais interessante acompanhar Drew (Sophie Lowe) lutando para encontrar um jeito de salvar sua irmã até mesmo fora d’água do que acompanhar os devaneios repetitivos de May (Louisa Krause).

A verdade é que “Sem Ar”  é muito bom em ser um filme de sobrevivência, sendo bem superior ao lançamento do ano passado “A Queda“, mas ainda inferior ao “127 Horas“. O longa consegue criar a tensão necessária que o gênero implora ter e foge do óbvio.

Por fim, posso concluir que, “Sem Ar” foi realmente uma surpresa para mim, que estava com receio dele se tornar um novo fiasco como “A Queda“. Felizmente, o longa traça rumos inesperados e pega o espectador de surpresa em diversos momentos. Ainda que tenha um final que parece não ser condizente com tudo que foi construído ao longo da trama (fácil demais, sem tensão ou perigo iminente), o saldo é mais positivo do que negativo quando você coloca na balança.

E uma dica? Não veja o trailer antes de assistir o filme! 

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