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CRÍTICA | Nosso (divertido e reflexivo) Amigo Extraordinário

Um senhor rabugento tem sua vida virada de cabeça para baixo quando um OVNI cai em seu quintal. Ao ajudar seu novo amigo extraterrestre a voltar para casa, ele descobre um sentido para sua vida. Essa é a sinopse de Nosso Amigo Extraordinário, filme estrelado pelo ganhador do Oscar, Ben Kingsley, escrito por Gavin Steckler e dirigido por Marc Turtletaub.

Não é comum vermos filmes protagonizados por idosos, parece que não nos chama tanta atenção, mas às vezes são nas sutilezas da terceira idade que as histórias mais sensíveis podem ser encontradas. Nosso Amigo Extraordinário é uma comédia dramática que se apoia no história de Milton, um velho rabugento que se encontra na solidão ao chegar na velhice, e até mesmo os que estão próximos ele afasta, porém isso muda com a chegada de um ser extraterrestre na sua casa, que sem nem dizer uma palavra, toca o coração desse senhor.

Além de Ben Kingsley, o filme é protagonizado por duas outras figuras bem conhecidas de comédias e que já se encontram na terceira idade, Harriet Sansom Harris e Jane Curtin. O tiro de apenas conhecidos, ao longo do filme passam por uma ligação forte graças ao alien, e se tornam grandes amigos, encontrando um no outro a saída para a solidão que se encontravam naquele momento.

Em questão de técnica o filme não é inovador, ele resolve o pouco que precisa de efeitos especiais com efeitos práticos e uma boa maquiagem. A fotografia, o som e a arte se movem para a narrativa ser conduzida, apesar de servirem suas funções e não apresentarem falhas que te tiram da experiência, também não se destacam perante os outros aspectos técnicos. A direção é muito bem conduzida, este é apenas o segundo longa-metragem de Marc Turtletaub e ele faz um belo trabalho, conseguindo impulsionar ainda mais as ótimas atuações do trio protagonista.

O ponto forte do filme é o roteiro de Gavin Steckler, que também apesar de não apresentar grandes reviravoltas nem nenhum ponto mirabolante, consegue fazer o espectador refletir sobre a vida. Para os que se encontram na mesma fase de vida dos protagonistas, o filme vem como um tiro certeiro para fazer o espectador repensar sobre o caminho que está seguindo, e que em algum lugar, às vezes muito mais próximo do que você imagina, você pode encontrar conforto e felicidade. Aos espectadores mais novos, o longa nos apresenta o ponto de vista dessa fase tão temida da vida e nossa relação, não apenas com os mais velhos, mas também com o nosso próprio processo de envelhecimento.

Nosso Amigo Extraordinário é aquela comédia leve, divertida, mas também reflexiva, para você sentar junto da família para assistir e rir junto. O filme nos mostra que nem toda obra que chega aos cinemas precisa ser uma grande espetáculo como sempre esperamos dos blockbusters mainstream, em alguns momentos um simples e sensível filme de 1h30min é tudo que precisamos para ficar bem.

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