Em um ano que tivemos Nicolas Cage como Drácula, o que esperar de “A Última Viagem de Demeter“? Bem, não muito. Adaptando apenas um capítulo do livro Drácula de Bram Stoker, o filme dirigido por André Øvredal decepciona tanto que causa mais tédio ao espectador do que o pavor e fascínio que a figura enigmática fornece ao longo dos anos na cultura pop.
Em “A Última Viagem de Demeter” acompanhamos a terrível história do navio Deméter, que foi fretado para transportar cargas particulares. Estranhos eventos acontecem à tripulação, que tenta sobreviver à viagem oceânica, perseguidos todas as noites por uma presença impiedosa a bordo do navio. Quando o Deméter finalmente chega à costa, é apenas um navio carbonizado e abandonado. Não há vestígios da tripulação.

À princípio a proposta da história seduz e ganha atenção do espectador, mesmo sabendo nos minutos iniciais que ninguém da tripulação sobreviveria ao destino cruel, é inegável que a curiosidade é atiçada ao nos apresentar o questionamento: afinal, o que aconteceu nesse navio? Para ser justa a pergunta é respondida, mas não do jeito que queríamos.
As 1h 58min de duração do terror se prolonga tanto em sua direção entediante que a sensação que fica é de que estamos assistindo a 4 horas de um filme sem ritmo e tato com a áurea que quer construir. Com personagens apáticos e decisões criativas duvidosas, “A Última Viagem de Demeter” ainda é prejudicado pela escuridão que o assola e impede a imersão do espectador que luta para ver qualquer detalhe em tela.

Para ser justa há duas coisas realmente boas na produção: Drácula e Corey Hawkins. Se você espera um Drácula sangrento, uma besta feroz, um monstro horripilante, o filme vai te entregar isso através da construção visual do antagonista. As mortes são brutais, mas as escolhas de quando e onde mostrar que deixam um gosto amargo. Dentre tantos personagens descartáveis e ruins, Corey Hawkins se destaca no elenco e traz o mínimo de profundidade que um personagem pode ter. Talvez, senão fosse por ele, o filme se tornaria intragável em relação ao elenco.
Com diálogos bregas, interações engessadas e um ritmo lento, “A Última Viagem de Demeter” é uma das maiores decepções de 2023. Isto porque ele detinha para si a aposta de se destacar entre os últimos lançamentos de Drácula ao transformá-lo visualmente em um monstro terrível e amedrontador, mas ele se perde e desperdiça uma oportunidade de ouro.
O filme está em exibição nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 1,5/5