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CRÍTICA | Live Action de “A Pequena Sereia” é o exemplo de como reviver um clássico de forma mais atual!

Após 34 anos da sua estreia, “A Pequena Sereia” ganhou uma revisitação em sua história em forma de live action estrelado pela cantora, e agora atriz, Halle Bailey. Com estreia prevista para esta quinta-feira (25), o filme consegue ser uma adaptação fiel a animação de origem, ao tempo que atualiza e conserta erros na narrativa apresentados no filme do século passado.

remake mantém a história da Ariel (Bailey), uma sereia curiosa e sedenta pelo conhecimento da vida além do mar. Repreendida pelo seu pai, Tritão (Javier Bardem), a jovem se arrisca ao salvar Príncipe Eric (Jonah Hauer-King) de um naufrágio e começa a perceber que nem todos os seres humanos são desprezíveis como seu pai a dizia. O começo da sua primeira paixão também é o começo da sua jornada de amadurecimento.

Disney Releases Trailer and Poster for The Little Mermaid Live-Action  Remake - Reframed

Com 2 horas e 15 minutos de duração, o longa se propõe a preencher lacunas que a animação apresentava, expandindo os núcleos e dando mais significado a narrativa além do “amor à primeira vista”. Um dos acréscimos mais significativos se dá pela admiração da Ariel pelo Eric. O roteiro de David Magee escolhe inserir entre os dois personagens uma identificação entre seus ideais e seus sonhos, tanto a sereia quanto o príncipe se veem um no outro, e o amor nasce da similaridade e com a inconformidade de se manter em um destino que não foi escrito por eles.

Todos os eventos marcantes, seja o naufrágio do navio, primeiro encontro do casal principal ou o duelo final, são feitos de modo tão marcante que me fez questionar em determinado momento se a história realmente veio de uma obra infantil. É inegável que a produção conseguiu ampliar e estender a história de um modo que ela se destaque até mesmo entre os filmes que fogem deste nicho infantilizado. 

Há detalhes que enriquecem a história de maneira muito positiva, uma delas se encontra no propósito das irmãs da Ariel (que na verdade, agora elas tem um!). Além de uma reunião familiar, as sereias se reúnem anualmente para apresentar um relatório para os reis dos mares de seus domínios marítimos. Esse é um detalhe da narrativa que proporciona uma diversidade maior do elenco, já que elas representam cada um dos sete mares, além de fazer delas mais do que um rostinho bonito no fundo do mar.

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Apesar de tais acréscimos, o fã de Pequena Sereia não poderá reclamar de falta de fidelidade a obra original. Isso porque o live action sabe exercer com excelência o seu papel. Consegue introduzir os diálogos de forma idêntica, enquanto aumenta a qualidade visual das cenas musicais, consegue trazer momentos nostálgicos, ao tempo que atualiza e retira problemáticas da trama original. 

As músicas correspondem as expectativas. A união entre o compositor Alan Menken e Lin-Manuel Miranda nos rendeu um musical imersivo, apaixonante e vibrante. Além dos clássicos remasterizados (mas com as mesmas características originais), as novas músicas também contribuem para toda a experiência que A Pequena Sereia pode nos dar: de não se acomodar, de seguir seus sonhos e ter sua voz ouvida. Além de, é claro, toda diversão colorida e apaixonante no melhor estilo veraneio possível. 

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Quando falamos de atuação é impossível não enaltecer Halle Bailey como Ariel. A atriz detém de todas as características que nós imaginamos quando pensamos na princesa-sereia. Há curiosidade e braveza ao tempo que também há inocência e pureza. Ainda que passe parte do filme em silêncio, suas expressões são tão claras que a faz se manter no protagonismo em todas as cenas. Jonah Hauer-King não fica para trás, o ator consegue construir uma dinâmica interessante com a Halle e transmite uma cumplicidade muito clara em tela. Todavia, não tem como negar que há um certo desapontamento quando enfim acontece o beijo do casal…

Os demais personagens não diminuem a qualidade da trama, porém o maior destaque entre os coadjuvantes é Melissa McCarthy como a grande vilã Úrsula. A atriz representa o papel sarcástico e vilanesco da personagem de forma majestosa! Além disso, há uma certa dosagem de horror extra em tudo a envolve. Sem perder o seu lado cômico, McCarthy entrega uma vilã que realmente dá medo. Toda produção ao seu redor contribui para tal, amedrontador e com cores que hipnotizam, seu esconderijo se equipara a sua essência: sedutor e fatal.

Melissa McCarthy Transforms Into Ursula in New 'Little Mermaid' Clip

Os espetáculos musicais são realmente um espetáculo! A representação dentro e fora d’água é de deixar qualquer amante de musical com a boca aberta. Há uma assinatura bem clara de Lin-Manuel Miranda dentro desta dinâmica, o que não faz do live action se afastar da sua obra original, mas somente preenche lacunas que já existiam previamente. O calcanhar de Aquiles do longa vem pelo Príncipe Eric, que, apesar de não ser ruim, não é tão marcante quanto os demais dentro de seu protagonista musical. 

A Pequena Sereia é um excelente exemplo de como resgatar uma história infantil e transformar em um espetáculo musical para todos os públicos, principalmente aos mais velhos. Sua trama é mais rebuscada, com mais atenção as motivações e histórias dos personagens, suas músicas conversam de maneira direta com a história sem causar estranhamento ou romper bruscamente com as cenas em questão. Sem dúvidas, uma das melhores revisitações feita pela empresa do Mickey Mouse.

Nota: 4,7/5

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