Após o sucesso da trilogia “Para Todos o Garotos“, Jenny Han voltou a escrever sobre as irmãs Song…mas, agora, focando na caçula das três, Kitty. Estrelado por Anna Cathcart, “Com Carinho, Kitty” traz a protagonista fora da sua zona de conforto, enfrentando medos, inseguranças e explorando as primeiras experiências que uma garota no ensino médio pode ter.
Na série, Kitty (Cathcart) convence seus pais a deixarem fazer o ensino médio no mesmo internato em que sua falecida mãe estudou quando tinha sua idade – que, coincidentemente, é o mesmo colégio em que seu namorado virtual estuda. Agora, Kitty tem a missão de dar o seu primeiro beijo e descobrir mais do passado de sua mãe.

Com 10 episódios de aproximadamente 30 minutos, a trama é ambientada no Coréia do Sul, regada de K-Pop e referências a k-drama. Durante toda sua narrativa, “Com Carinho, Kitty” tende a ter um desenvolvimento mais infanto-juvenil, apostando em clichês óbvios e um enredo mais mamão com açúcar, mas sendo capaz de conquistar a audiência pela sua doçura e facilidade de absorver toda a trama. Se consagrando, ao fim, como uma produção perfeita para quando você quer “desligar a mente” e não pensar em absolutamente em nada além de dramas adolescentes bobos.
Um ponto positivo para a produção é a sua habilidade em criar coadjuvantes tão carismáticos. Uma das minhas maiores preocupação antes de assistir a série foi de sentir falta da dinâmica entre as irmãs, no entanto não há espaço para sentimentos nostálgicos com tantas novidades hipnotizantes.

Ao analisar todos os arcos debatidos em sua primeira temporada, há de ressaltar que “Com Carinho, Kitty” aborda MUITO enredo diferente em seus episódios, não dando abertura a tédio ou desvio da sua proposta principal com rodeios desnecessários. A trama consegue trazer assuntos como primeiro amor, descoberta da sexualidade e até um misterioso possível meio-irmão. O melhor disso tudo é que nada é avulso, tudo que o roteiro propõe a abordar é interligado entre si e deixa o espectador mais imerso na história.
No entanto, é notório que todo roteiro se engrandece quando deseja focar em qualquer coisa que não seja o romance principal. Tudo, absolutamente tudo, é mais interessante que o romance entre Kitty e Dae (Choi Min-young). Ainda assim, entendo as turbulências e o desenvolvimento da relação dos dois quando a história se encerra, já que isso tudo faz parte do amadurecimento e maturidade que a protagonista tenta adquirir.

Apesar disso, não tem como negar que a série tem seus defeitos. Os dois primeiros episódios são bem distintos dos demais, isso – na minha visão – acontece pela dificuldade de achar seu próprio ritmo, mas ainda bem que acerta enfim! A trilha sonora é uma bagunça nesses primeiros episódios, o que traz a sensação de um desespero de conquistar uma comunidade que é capaz de trazer a publicidade necessária para a produção. Mas, como disse, a obra acaba acertando seu tom, tanto nas partes mais técnicas, quanto na colaboração entre o elenco em si, a partir do terceiro episódio em diante.
“Com Carinho, Kitty” é uma deliciosa pedida para quem gostou da trilogia de Jenny Han. A autora mantém sua identidade nesta produção, apostando em clichês românticos que dão certo e personagens que agitam a trama. Apesar da previsibilidade, a série não perde seu brilho, na verdade toda sensação de terreno seguro faz dela uma aposta segura para quem ama rom com adolescente – e, principalmente, doramas (já que referência é o que não falta!).
Nota: 3/5