Histórias apocalípticas ou de zumbi acabaram me trazendo um certo esgotamento após tentativas incansáveis de produções que repetiam a mesma fórmula. No entanto, após um domingo procurando o que assistir na Netflix me deparei com “Cargo“. Lançado em 2018, o filme estrelado por Martin Freeman traz o drama do ser humano lidando com uma sentença mortal, enquanto é inserido neste universo de fim dos tempos.
No filme, conhecemos Andy (Freeman), um homem que tem apenas 48 horas para bolar um plano para proteger e salvar sua filha dentro deste mundo pós-apocalíptico. A salvação que ele procura pode estar em um tribo aborígene isolada, mas para ter acesso ao grupo, ele terá que ajudar uma jovem indígena em uma missão perigosa.

Antes de tudo, é necessário frisar que o filme só dá realmente certo graças a performance de Freeman durante a história. O ator é simplesmente a alma do filme, se entregando a todo momento e dando tudo de si. No entanto, seria hipócrita se eu não falasse que a bebê, que faz a sua filha, é a verdadeira estrela deste filme. Com reações genuínas e compatíveis com a cena, a menininha que vive a Rosie acaba se tornando o escape do espectador que vê nela uma doçura e empatia instantânea.
“Cargo” é um filme que pode até remeter para alguns a The Last of Us, com a jornada pai e filha. E as comparações acabam aqui. Já que o longa carrega consigo uma característica bem individual, abordando mais o drama pessoal desta missão em específico do que a ameaça zumbi e histórias que fogem disso. Não espere lutas ou confrontos intensos que ameaçam a vida dos protagonistas, neste filme o foco é a luta contra o tempo.

O ritmo, no entanto, pode ser um pouco lento em determinados momentos, transformando o filme em algo arrastado além do necessário. Outro fator que prejudica o filme é a falta de outras ferramentas que constroem a credibilidade do cenário introduzido (além dos zumbis). Bem como a falta que faz uma introdução decente o povo que vai ser o grande salvador. Tudo que gira em torno desta parte da história é simplesmente jogado, cabendo ao espectador deduzir quem são e porque estão ali.
Todavia, outras histórias em paralelo com a principal são bem inseridas. Como a do homem que armazenava gasolina. Como em outros segmentos da história, esta caracteriza bem uma parte da humanidade diante a ganância em momentos caóticos.
“Cargo” prova que é possível ainda fazer filmes deste gênero sem cansar o público com as mesmas propostas. Ele escolhe emocionar ao em vez de provocar a tensão que por muitas vezes vemos em filme assim. E, por mais estranho que isso possa parecer, ele me remeteu muito a era de ouro de The Walking Dead, quando os dilemas dos sobreviventes diante a nova realidade eram mais importantes e mais desenvolvidos.
Nota: 3,5/5








