CRÍTICA | “Avatar: O Caminho da Água” visualmente deslumbrante com um roteiro reciclado

Após longos 13 anos, James Cameron trouxe Pandora novamente para o cinema. “Avatar: O Caminho da Água” estreou nos cinemas no dia 15 de dezembro com uma evolução gráfica exorbitante, porém com um roteiro reciclado de seu antecessor.

Após dez anos da primeira batalha de Pandora entre os Na’vi e os humanos, Jake Sully (Sam Worthington) vive pacificamente com sua família e sua tribo. No entanto, em determinado momento ele e Ney’tiri (Zoe Saldana), ao lado de seus filhos, devem sair de casa e explorar as regiões de Pandora, indo para o mar e fazendo pactos com outros Na’vi da região. Quando uma antiga ameaça ressurge, Jake deve travar uma guerra difícil contra os humanos novamente. Mesmo com uma guerra em curso, Jake e Ney’tiri terão que fazer de tudo para ficarem juntos e cuidar da família e de sua tribo. (*)

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Uma coisa é fato, a expectativa do público esta altíssima. Já que com o primeiro longa de 2009, James Cameron revolucionou a indústria cinematográfica com a tecnologia 3D. Então, o que esperar deste novo filme? Seria possível se superar? Bem, tecnicamente sim. Mas criativamente? Cameron deixou a desejar no roteiro co-escrito com Amanda Silver.

Durante as suas 3h 12min de duração, a narrativa recicla a história contada em 2009, com os mesmos moldes, no entanto inserida em um ambiente diferente. A história se desenrola através da descoberta de um novo habitat, a exploração do povo do céu, subestimação de uma cultura, aprendizado e uma ameaça já conhecida, uma rivalidade repetitiva. Talvez, a maior diferença criativa entre os filmes seja na construção da família Sully, estreitando laços e cultivando a lealdade entre si.

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A aposta de Cameron na sequência de um dos filmes mais lucrativos da história do cinema foi de explorar a vida dos nativos do mar. E definitivamente o visual é deslumbrante! Após a sessão me questionei por alguns instantes se Pandora não era realmente real, bem como as criaturas que viviam nela.

É quase inacreditável pensar que é computação gráfica com tamanha naturalidade e realidade com tudo que é exibido em tela. É de tirar o fôlego e de causar uma imersão intensa, mesmo sem a necessidade dos óculos 3D. Assim, mais uma vez, o cineasta prova que sabe revolucionar a forma como consumimos o cinema.

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Entenda uma coisa: não é um filme cansativo, como vi muitos dizerem. A quantidade de novidades apresentadas é tão arrebatadora que se faz suficiente para entreter o público na maior parte do tempo. As interações entre o novo elenco, bem como os já conhecidos, também contribuem para um divertimento mais leve e descontraído. Todavia, não poderia deixar de mencionar como este filme deu um destaque glorioso as mães.

Enquanto vimos novamente o lado guerreira de Ney’tiri (Zoe Saldana), agora transformado em um instinto mais sanguinário devido a proteção para com seus filhos, também conhecemos Ronal (Kate Winslet), uma habilidosa mergulhadora e esposa do chefe do clã Metkayina. Sua importância vai além de ser cônjuge de alguém importante, ela é decidida, sagaz, inteligente e confiante.

As duas mães apresentam personalidades que se chocam mas que se encontram diante a um ponto em comum: seus filhos. O filme destrincha muito bem o poder e a influência da mãe durante sua narrativa, bem como o papel de suma importância da união familiar em si.

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Avatar: O Caminho da Água” é uma continuação digna, definitivamente. Mas, ainda assim, é decepcionante quanto as escolhas criativas do roteiro. Fica redundante e previsível, por alguns breves momentos se tornando uma experiência maçante (principalmente no arco do antagonista). James Cameron promete muito para um filme que começa e termina praticamente do mesmo jeito, aposta em criar sequências em vez de um arco sólido e fechado como seu antecessor. Por isso, ao fim há tantas pontas soltas, assim como questionamentos acerca dos novos personagens e suas aptidões.

Nota: 4,2/5

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